Artigo: A chegada das raças Angus e Merino ao Brasil e o legado da Cabanha Azul

Por Hildeberto Rubin Alessio

A história da pecuária moderna no Brasil tem capítulos pouco conhecidos, mas decisivos para a evolução da produção de carne e da ovinocultura. Um desses momentos ocorreu no início do século XX, quando novas raças europeias e australianas chegaram ao país, trazendo avanços genéticos que mudariam o perfil da criação de gado de corte.

Esse processo tem ligação com o Brasil Imperial e com a figura de Francisco Pereira de Macedo, Barão e posteriormente Visconde do Cerro Formoso. Estancieiro do Rio Grande do Sul, ele recebeu Dom Pedro II em 1865, durante a Guerra do Paraguai, e ficou conhecido por sua contribuição ao Império e por ter libertado seus escravos em 1884. Em reconhecimento, recebeu os títulos de barão e visconde.

Anos depois, seu neto, João Vieira de Macedo, formado em Medicina, foi enviado à Europa para aperfeiçoar seus estudos. Durante a viagem, visitou a França, a Escócia e também a Austrália, onde teve contato com a evolução da pecuária e da ovinocultura mundial. Impressionado com o potencial genético daqueles animais, decidiu trazer ao Brasil algumas das principais raças da época.

Em 1906, retornou trazendo exemplares das raças bovinas Aberdeen Angus, Devon, Hereford e Polled Shorthorn, além das raças ovinas Merino Australiano, Romney Marsh e Corriedale. Instalado na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, em Quaraí, assumiu a administração da propriedade da família, que recebeu o nome de Cabanha Azul.

Ali iniciou um trabalho pioneiro de seleção genética e melhoramento do rebanho, que ao longo das décadas transformaria a região em referência na produção pecuária. O projeto cresceu de forma expressiva e, por volta de 1930, o criatório já reunia cerca de 126 mil animais, consolidando um dos maiores plantéis da época.

O legado seguiu com novas gerações e com o apoio de profissionais dedicados à genética animal, ampliando o reconhecimento da qualidade das raças introduzidas. O Angus, por exemplo, tornou-se mundialmente conhecido pela maciez da carne e pelo marmoreio perfeito, características que hoje valorizam cortes nobres como a picanha.

A história mostra que a pecuária brasileira também foi construída pela visão de homens que souberam olhar além de seu tempo. Na vastidão do Pampa gaúcho, entre coxilhas e campos naturais, nasceu um projeto que ajudou a transformar a qualidade da carne produzida no país.

Mais de um século depois, permanece o exemplo de uma visão pioneira: introduzir genética, investir em seleção e acreditar no potencial da terra brasileira.

Hildeberto Rubin Alessio – Jornalista
ARI 207 – 13/06/1973
Contato: (67) 9 9983-9812

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