Vacinação domiciliar reforça barreira contra a raiva

A vacinação antirrábica em Campo Grande vai muito além da aplicação de doses. Para manter a cidade protegida contra uma doença com circulação do vírus confirmada em morcegos, equipes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) percorrem diariamente bairros de todas as regiões, levando imunização, orientação aos moradores e atualização do censo de cães e gatos.

“CCZ, vacina!” O chamado dos agentes já é conhecido por muitos moradores e costuma ser acompanhado pelos latidos dos cães. O dia começa cedo para os agentes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Campo Grande. Colete, pasta, caneta, vacinas, caixa térmica e muito filtro solar. A missão é clara: percorrer os 300 mil imóveis do perímetro urbano para garantir que nenhum cão e gato fique sem a vacina antirrábica em 2026.

É um trabalho de rua que exige dedicação e disposição, realizado mesmo diante dos extremos do clima, com temperaturas acima dos 35°C ou períodos de frio intenso. Ainda assim, a rotina segue e a meta permanece: em média, cada equipe realiza 50 atendimentos por dia, percorrendo longas distâncias, entrando em becos e visitando imóveis de porta em porta para garantir que cães e gatos estejam protegidos contra a raiva.

“É um trabalho que exige dedicação, porque nem sempre somos recebidos logo na primeira visita. Mas seguimos firmes, levando a vacinação e a proteção contra a raiva para a população. Fazemos, em média, 50 vacinas por dia, e é muito gratificante contribuir com esse cuidado”, contou Yuri Uriel da Silva, de 34 anos, agente com mais de 14 anos de experiência na profissão, durante a ação no Jardim Colúmbia.

É verdade, eles têm que ter “jogo de cintura”. As dificuldades podem variar, porque tem casa com cinco cachorros, gato que foge, animais que brigam, morador impaciente, terreno grande, sem mencionar, o famoso cachorro bravo.

É o caso da Elizabete Ferreira, de 53 anos, que agradeceu a visita da equipe, porque resolveu um problema real. “Me facilita o CCZ vir aqui na minha casa, porque a cachorra é brava. É bom, porque ela é grandona, é ruim se fosse levar sozinha. Até caminho com ela. Mas tem que ter bastante força, e se tiver cachorro na rua, ela vai pra cima e aí já viu a confusão”, revelou.

Já a aposentada Maria Auxiliadora Marques, de 61 anos, disse que apesar de não ter cães ou gatos, acredita que é essencial esse trabalho. “Meus vizinhos têm, é importante vacinar, pois evita doenças para os humanos. Quem tem bichinhos tem que cuidar, é igual filho”.

Durante o trabalho de campo, um dos supervisores das equipes, Denilson Leite, destacou que os agentes compartilham o mesmo sentimento em relação à importância da campanha. “Nosso trabalho é muito importante, e procuramos sempre fazer o melhor”, afirmou.

A receptividade dos moradores também é um incentivo para que as equipes sigam firmes na missão. Morador do Jardim Colúmbia, o frentista Alex Morais Lima, de 44 anos, tem dois cachorros e já conhece o trabalho dos agentes. “Eu sempre ajudo a equipe quando eles vêm. São muito simpáticos”, contou.

Também no Jardim Colúmbia, Adrienny de Brito, de 29 anos, recebeu a equipe com alegria, enquanto seus cachorros demonstravam animação e pulavam ao redor dos agentes. Nesta visita, os cães não precisaram ser vacinados, pois já haviam recebido a dose em uma clínica veterinária. Ainda assim, Adrienny apresentou os dois gatos da família, que foram imunizados e entraram na estatística do dia. “Minha irmã sempre cuida dos cachorros, mas os gatinhos ainda não estavam vacinados”, explicou.

Quando não encontram ninguém, os agentes deixam um comunicado na residência. É o aviso de que a equipe passou por lá e que o morador pode levar o animal até o CCZ, que funciona como posto fixo de vacinação o ano todo. A estratégia evita que a casa fique sem cobertura e garante que a meta seja batida.

“É importante lembrar que nós temos a presença do vírus aqui dentro da cidade, especialmente nos morcegos. Sendo que nesse ano de 2026 já foram localizados 12 exemplares de morcegos infectados para o vírus da raiva”, explicou a médica veterinária Maria Aparecida Cunha, Chefe do Serviço de Controle da Raiva do CCZ.

Além desse alerta sanitário, as equipes realizam um novo censo canino e felino durante as visitas domiciliares, para atualizar a quantidade de animais e avaliar as estratégias de atuação. Os bairros visitados são divulgados com antecedência nos canais oficiais da Sesau (@sesau_cg) e do CCZ (@ccz_cg).

“É no contato com cada morador e no cuidado com cada animal que a campanha ganha força. As equipes chegam, vacinam, orientam sobre a posse responsável e logo seguem para o próximo endereço. Entre conversas, pedidos de ajuda para segurar os animais e muitos agradecimentos, ajudam a fortalecer, todos os dias, a barreira de proteção contra a raiva em Campo Grande”, concluiu a veterinária.

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