domingo, 8/03/2026

Soraya Thronicke denuncia escândalo dos planos de saúde e cobra CPI no Senado

Em um discurso contundente e com tom de denúncia, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) subiu à tribuna do Senado, nesta quarta-feira (17), para expor o que classificou como “um escândalo nacional”, envolvendo os planos de saúde no Brasil. Segundo a parlamentar, empresas bilionárias que deveriam garantir atendimento adequado a seus clientes estariam, de forma deliberada, transferindo custos para o Sistema Único de Saúde (SUS), gerando prejuízos diretos à população.

Soraya salientou que, entre 2000 e 2022, mais de sete milhões de atendimentos de beneficiários de planos privados foram realizados pelo SUS, somando R$ 11,75 bilhões em despesas. Desse valor, apenas R$ 5,24 bilhões foram ressarcidos, deixando mais da metade da conta para o contribuinte.

A senadora destacou com ênfase o caso da hemodiálise, que, segundo ela, revela o lado mais cruel dessa prática. Entre 2012 e 2019, quase 32 mil pacientes com plano de saúde precisaram recorrer ao SUS para realizar o tratamento, gerando um impacto de R$ 1,67 bilhão aos cofres públicos. Até 2024, já foram registradas 2,6 milhões de sessões de diálise custeadas pela rede pública, ao custo de R$ 2,04 bilhões. “Há pacientes que chegam a passar 70 dias internados apenas para ter acesso a um tratamento que deveria ser ambulatorial. Isso é desumano, é revoltante, é prova de que as operadoras descumprem contratos e jogam a conta no colo do povo brasileiro”, afirmou.

Segundo a parlamentar, negar cobertura ou restringir a rede credenciada virou um cálculo econômico para as operadoras, que transferem pacientes para o SUS, atrasam o ressarcimento e continuam acumulando lucros bilionários. Somente no primeiro trimestre de 2025, o setor de saúde suplementar registrou mais de R$ 6 bilhões em lucro — mais que o dobro do mesmo período do ano anterior.

Soraya cobrou a instalação urgente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o setor, dimensionar o passivo das operadoras e expor as práticas abusivas. “Cada dia de omissão significa mais filas, mais sofrimento e mais dinheiro público financiando lucros privados. O cidadão paga o plano, mas é atendido pelo SUS. Privatizam os ganhos e socializam os custos. É hora de agir, em nome da saúde, da justiça e da democracia brasileira”, concluiu.

CATEGORIAS:

Últimas Notícias

Mais notícias

MPMS reforça atendimento a comunidades ribeirinhas do Pantanal

Ação reúne órgãos públicos para ampliar direitos, oferecer serviços essenciais e promover inclusão nas comunidades ribeirinhas do Paraguai Mirim O MPMS participou da ação "Navegando...

ANTÔNIO JOÃO: Campeonato municipal de futebol suíço 2026 tem início com grande participação popular

Teve início no último domingo, dia 1º de março de 2026, em Antônio João, o Campeonato Municipal de Futebol Suíço 2026, evento que reuniu grande público no Campo...

Cerest de Campo Grande está entre os melhores do Brasil

O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) Regional de Campo Grande alcançou pontuação máxima na avaliação nacional promovida pelo Ministério da Saúde...

Endrick brilha mesmo em derrota do Lyon

Atacante brasileiro impressiona imprensa internacional com performance no Campeonato Francês Endrick voltou a se destacar pelo Lyon na derrota por 3 a 2 para o...