O Psiquiatra que Julgou a Sanidade dos Nazistas

Há 80 anos, o mundo descobria os horrores deixados pela Segunda Guerra Mundial e aguardava respostas do Tribunal de Nuremberg, que julgaria os principais líderes nazistas. Uma questão central era avaliar se os acusados estavam mentalmente aptos para enfrentar o julgamento, tarefa que ficou com o psiquiatra americano Douglas M. Kelley.

Após meses de entrevistas, testes psicológicos e avaliações de QI, Kelley concluiu que os nazistas não eram loucos, mas pessoas comuns, capazes de cometer atrocidades com plena consciência. Entre eles, Hermann Goering chamou atenção especial, e o psiquiatra desenvolveu uma relação de confiança, cuidando de sua saúde e acompanhando seu tratamento. Goering chegou a pedir que Kelley adotasse sua filha caso ele e a esposa não sobrevivessem, gesto que revela a intimidade incomum entre médico e paciente.

A constatação de Kelley de que líderes cruéis podiam ser pessoas “normais” aterrorizou-o, pois indicava que o fascismo poderia surgir em qualquer país. Ao retornar aos Estados Unidos, alertou sobre o risco de líderes manipuladores e abandonou a psiquiatria clínica, dedicando-se à criminologia. Sua convivência com os nazistas deixou marcas profundas, influenciando sua visão sobre a natureza do mal. Em 1958, Kelley tirou a própria vida, refletindo de maneira sombria o destino de Goering, que também se suicidou antes da execução.

O trabalho do psiquiatra revela os limites da ciência diante do mal consciente e organizado e reforça a importância do julgamento de Nuremberg para a justiça internacional.

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