Incêndios no Pantanal disparam

Sem falsos alarmismos, a probabilidade de os incêndios no Pantanal superarem os níveis trágicos de 2020 é muito grande. O número de focos de incêndios no Pantanal cresceu quase 900% nos primeiros cinco meses do ano, ante o mesmo período de 2023. Já foram 899 queimadas, ante 90 registros entre janeiro e maio do ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os dados consideram territórios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Especialistas temem que se repita o cenário de 2020, quando ao menos 26% do bioma – área equivalente a 4 milhões de hectares – foram devastados por grandes queimadas. Devido ao baixo volume de chuvas a região está em alerta desde o fim do ano passado. O risco de queimadas ainda é potencializado pela previsão de temperaturas acima do normal na região.

Na quarta-feira (05), mesmo dia em que o governo federal assinou um pacto com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre, Amazonas e Pará que prevê planejamento e ações colaborativas integradas de prevenção e combate aos incêndios nos dois biomas, em Mato Grosso do Sul, bombeiros e brigadistas entravam no 4º dia de combate a um incêndio que irrompeu no fim de semana na região do Canal do Tamengo, à margem do Rio Paraguai, em Corumbá, onde as chamas já haviam consumido 2,3 mil hectares de vegetação.

Em Mato Grosso do Sul, 95% do território enfrenta seca de moderada a severa. Nos parques estaduais e em propriedades rurais mais sujeitas a incêndios florestais, os bombeiros orientam o manejo do excesso de biomassa com o uso do fogo, ou seja, destruir a palhada com pequenas queimadas para evitar um incêndio maior, prática secular do homem pantaneiro e que foi proibida.

O governo estadual, por sua vez, instalou 13 bases avançadas do Corpo de Bombeiros em áreas de difícil acesso. A medida permite conter os focos ainda no início, evitando que se alastrem. Os locais estão equipados com veículos, barcos, moto-gerador, equipamentos de combate a incêndio e estrutura, como utensílios de cozinha e suprimentos para que as equipes permaneçam nos postos na temporada de incêndios.

A previsão é de que as bases só sejam desmontadas em setembro. “É uma logística que nos permite atuar efetivamente na prevenção e dar resposta rápida em caso de incêndio”, diz o tenente-coronel Leonardo Congro, que preside o Comitê de Combate ao Fogo do MS.

O período de proibição do uso de fogo para atividades agrícolas no Pantanal, que terminaria em 30 de novembro, foi estendido para 31 de dezembro. Decreto governamental permite a queima controlada de biomassa em áreas críticas, sob supervisão dos bombeiros!

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