O avanço de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, extrapola a área da saúde e chega à mesa do consumidor, com possíveis efeitos significativos sobre o campo. Ao reduzir o apetite e alterar hábitos alimentares, essas chamadas canetas emagrecedoras estão gradualmente modificando o padrão de consumo de alimentos no Brasil. Um relatório recente do Itaú BBA aponta que, entre usuários de medicamentos da classe GLP-1 — utilizados para diabetes tipo 2 e perda de peso — o impacto mais relevante é na dieta. Mais do que simplesmente comer menos, essas pessoas passam a escolher alimentos diferentes, favorecendo proteínas e diminuindo o consumo de carboidratos como pães e massas, o que pode gerar mudanças na demanda por produtos do agro.
Consequentemente, setores como a pecuária podem ganhar espaço no prato do brasileiro, enquanto a produção de cereais e grãos pode sentir efeitos de retração gradual. O fenômeno levanta discussões sobre como inovações na saúde podem influenciar não apenas hábitos alimentares individuais, mas também toda a cadeia produtiva de alimentos, exigindo atenção de produtores, distribuidores e formuladores de políticas agrícolas.
