Agricultores franceses iniciaram bloqueios nas estradas e em pontos turísticos de Paris antes do amanhecer desta quinta-feira em protesto contra o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, temendo que o pacto traga importações de alimentos mais baratos que prejudicam a renda local. Vários sindicatos afirmam que a política do governo frente à dermatite nodular contagiosa no gado é excessiva, exigindo vacinação em vez de abates.
O ato aumenta a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, que enfrenta risco político elevado sem maioria no parlamento, e ocorre um dia antes da votação do acordo pelos Estados-membros da UE. Embora países como Alemanha e Espanha apoiem o pacto, a posição final da França ainda é incerta.
A Comissão Europeia busca convencer opositores oferecendo financiamento de €45 bilhões e reduzindo taxas de importação de fertilizantes, mas o protesto evidencia o ressentimento e o desespero dos produtores. Stephane Pelletier, do sindicato Coordination Rurale, declarou que os agricultores se sentem abandonados e temem pelo futuro do setor. A polícia adotou postura de contenção, afirmando que “os agricultores não são nossos inimigos”, evitando confrontos diretos.
Enquanto a UE se aproxima do apoio da Itália, a aprovação do acordo depende do equilíbrio delicado entre interesses nacionais e blocos econômicos. O protesto em Paris simboliza a tensão entre políticas comerciais globais e a proteção da agricultura local, reforçando a urgência de diálogo entre governo e produtores.
