Simpósio debate violência política contra mulheres

A Secretaria Executiva da Mulher (Semu), participou, nesta semana, do 2º Simpósio Nacional pela Paridade de Gênero, que reuniu especialistas, autoridades, representantes de instituições e sociedade civil para discutir a violência política de gênero e os desafios para ampliar a participação das mulheres nos espaços de poder e decisão.  

Com o tema “Violência Política de Gênero”, o simpósio promoveu debates sobre estratégias para ampliar a presença feminina na política e enfrentar situações que dificultam a participação das mulheres na vida pública. A programação também abordou direitos políticos, legislação eleitoral, financiamento de campanhas e mecanismos de enfrentamento à violência de gênero. 

Durante o evento, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, destacou os desafios enfrentados pelas mulheres que ocupam espaços de liderança e afirmou que a violência de gênero também se manifesta na política. “Hoje, sendo a primeira mulher prefeita eleita na Capital, eu sofro violência de gênero diariamente. É difícil um dia em que a gente não seja tornada invisível por ser mulher”, afirmou. 

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, discursa à mesa de autoridades durante o 2º Simpósio Nacional pela Paridade de Gênero, no Auditório do TJMS. (Foto: Ana Paula Fernandes)

A prefeita também ressaltou que a violência contra mulheres em espaços de poder não é praticada exclusivamente por homens e defendeu o fortalecimento da sororidade entre as mulheres. 

Para a secretária executiva da Mulher, Angélica Fontanari, a escolha do tema reflete uma realidade que precisa ser enfrentada de forma coletiva e institucional. “A violência política de gênero é a tentativa de silenciar, intimidar e expulsar mulheres da vida pública simplesmente por serem mulheres”, afirmou. 

Angélica Fontanari, secretária executiva da Mulher, fala ao microfone sobre os desafios da participação política feminina durante o 2º Simpósio Nacional pela Paridade de Gênero, no Auditório do TJMS.

A juíza Tatiana Said, da 4ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do TJMS, abordou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para ocupar posições de liderança. “Nós temos o nosso teto de vidro: estamos na base, não conseguimos alçar os cargos no topo. Por isso, precisamos de ações afirmativas”, destacou. 

Na política, segundo a magistrada as dificuldades podem aparecer desde o registro de uma candidatura e a falta de recursos até situações de assédio, violência física e interrupção da fala em espaços institucionais. 

Cartilha reúne informações para as eleições de 2026  

Durante o simpósio, também foi lançada uma cartilha com informações atualizadas sobre as eleições de 2026, direitos políticos das mulheres e violência de gênero. O material reúne resoluções e orientações para auxiliar mulheres a reconhecer situações de violência e identificar os canais de denúncia.  

A defensora pública Criscillaine Oliveira Souza explicou que a publicação foi elaborada para concentrar informações importantes em um único material e servir de apoio às mulheres que participam do processo eleitoral.  

Defensora pública Criscillaine Oliveira Souza discursa no púlpito enquanto autoridades acompanham à mesa durante o evento.

“A ideia foi reunir, em uma única cartilha, informações sobre as eleições de 2026, violência de gênero e direitos políticos das mulheres, para que elas saibam reconhecer essas situações e conheçam os canais de denúncia”, explicou.  

 Fórum pela Paridade 

 O 2º Simpósio Nacional pela Paridade de Gênero é uma iniciativa do Fórum Permanente pela Paridade Institucional e Política das Mulheres, constituído a partir da articulação entre entidades governamentais e não governamentais e consolidado pelo Decreto Municipal nº 14.825/2021. 

 O Fórum atua como espaço de articulação institucional voltado à defesa da igualdade e da equidade de gênero, contribuindo para a construção de políticas e ações que ampliem a presença e a participação das mulheres na vida pública e política. 

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