Trabalho que transforma: Gameleira amplia oportunidades, recupera escolas e leva alimentos à comunidade

Sob a supervisão do juiz corregedor do presídio, Albino Coimbra Neto, o controle da Polícia Penal e parcerias, mais de mil internos exercem atividades laborais no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira; projetos atendem 40 escolas estaduais e destinam alimentos a instituições de Campo Grande

O trabalho no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira (CPAIG/AGEPEN), em Campo Grande, vem construindo uma realidade marcada por responsabilidade, aprendizado, produção e retorno à sociedade. O sistema implantado na unidade pelo juiz Albino Coimbra Neto transforma o trabalho prisional em oportunidade de ressocialização e em benefício direto para escolas públicas e entidades assistenciais.

A unidade tem atualmente 1.606 pessoas. Desse total, 1.035 exercem alguma atividade laboral — aproximadamente 64% da população carcerária — e 752 recebem remuneração pelo trabalho realizado. Internos do regime semiaberto participam da manutenção de prédios escolares, aprendem técnicas de horticultura, cultivam alimentos e ajudam a produzir pães que posteriormente são destinados à comunidade.

Na tarde da última quarta-feira, dia 15 de julho, o juiz Albino Coimbra Neto, parceiros e funcionárias da Central de Execução de Penas Alternativas (Cepa) acompanharam a entrega de alimentos produzidos pela Horta Solidária da Gameleira à Escola Estadual José Mamede de Aquino, que tem mais de 600 alunos.

A produção é desenvolvida com orientação técnica e conta com a parceria do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul e do Sistema Famasul — Senar/MS. Desta vez, a diretora da escola, Juliana Silva, recebeu a primeira doação de produtos da horta. Porém, segundo ela, a parceria com o Centro Penal da Gameleira já apresenta resultados concretos, na unidade escolar, no Jardim Aeroporto.

Internos também realizam serviços de jardinagem, pintura e pequenos reparos elétricos e hidráulicos na instituição de ensino. “Na escola, eles fazem um trabalho excelente. Só com jardinagem, teríamos um gasto semestral de aproximadamente R$ 3,5 mil. É um recurso que podemos direcionar de forma mais efetiva para os alunos”, afirmou Juliana.

No início do ano, segundo a diretora, os trabalhadores da Gameleira realizaram a pintura de toda a escola. “É algo significativo para a escola, para os apenados e para a sociedade de forma geral”, destacou.

Quarenta escolas beneficiadas

Atualmente, 40 escolas estaduais de Campo Grande são atendidas pelo projeto de manutenção realizado por trabalhadores do regime semiaberto da Gameleira. A equipe responsável pelos serviços externos é formada por 12 internos, acompanhados por dois policiais penais. O diretor do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, policial penal Ricardo Teixeira de Brito, explica que todas as atividades são realizadas com acompanhamento e segurança.

Policial penal há 25 anos, Teixeira assumiu a direção da unidade em dezembro de 2024 e coordena as atividades internas e externas desenvolvidas no estabelecimento penal. “Sob a supervisão do doutor Albino, que é o grande responsável por tudo o que está sendo realizado, temos suporte e orientações para o bom andamento dos trabalhos”, declarou o diretor.

Da terra para a comunidade

Na Horta Solidária, os internos participam de todas as etapas da produção: preparação do solo, semeadura, plantio, irrigação, adubação, manejo e colheita. De acordo com o coordenador da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Horticultura do Senar, Dorly Pavei, o projeto vai além da produção de alimentos, ele também proporciona qualificação prática aos trabalhadores. “O técnico vem todos os meses para acompanhar a horta, oferecer orientações e ensinar os trabalhadores a conduzir as culturas, plantar, irrigar e realizar a adubação. O resultado desse trabalho conjunto é a produção que estamos entregando hoje”, explicou.

As verduras e os legumes colhidos são encaminhados a escolas e entidades previamente cadastradas. A produção da padaria existente na unidade também é destinada a ações solidárias, ampliando o alcance social do projeto. “Graças a essas parcerias, como a realizada com o Senar, conseguimos alcançar esses resultados. Temos ainda a padaria, que também realiza doações de pães”, comentou o juiz Albino Coimbra Neto.

Dignidade, responsabilidade e pertencimento

O trabalhador do semiaberto Júlio César da Silva Corrêa descreveu a satisfação de acompanhar todo o processo produtivo. “A gente vê todos esses frutos, verduras e legumes e sabe: fui eu que plantei, fui eu que colhi. É prazeroso e muito satisfatório”, relatou.

Na prática, segundo o juiz Albino Coimbra, o trabalho transforma o cumprimento da pena em responsabilidade, capacitação e reparação social. “Na Gameleira, cada parede recuperada, cada alimento colhido e cada pão compartilhado representa uma nova possibilidade: para quem trabalha, para quem recebe e para toda a sociedade”, destacou o magistrado.

CATEGORIAS:

Últimas Notícias

Mais notícias

Jornalista Zuenir Ventura morre aos 95 anos

Integrante da Academia Brasileira de Letras, escritor teve longa trajetória no jornalismo brasileiro O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos. A informação...

Cenipa encontra caixa-preta de helicóptero que levava Rick

Acidente matou cinco pessoas na serra de Santa Catarina. O Cenipa recuperou a caixa-preta do helicóptero Bell 430 que caiu em uma área de mata...

Projeto de lei prevê reajuste gradual e incorporação de auxílio para técnicos da saúde

Foi apresentado, na manhã desta sexta-feira (25), o projeto de lei que acrescenta valores ao piso salarial dos técnicos em radiologia e dos técnicos...

Quintal do Brincar resgata brincadeiras de outras gerações em tarde gratuita para crianças

Programação acontece no dia 26 de setembro, no Bosque dos Ipês, com gincanas, brinquedos de madeira e jogos clássicos para crianças de 3 a...