Indenizações subiram 33% em setembro, enquanto vantagens eventuais avançaram 54% e ampliaram a folha de pagamento
A conta não fecha no teto, mas fecha no contracheque. Em setembro, um desembargador de Mato Grosso do Sul acumulou R$ 156,8 mil brutos, mesmo após as restrições aos supersalários. Depois dos descontos, recebeu pouco mais de R$ 102 mil na conta bancária.
O salário-base de R$ 41,8 mil ganhou reforços de R$ 16,9 mil em vantagens pessoais, R$ 29,2 mil em indenizações, R$ 54,7 mil em vantagens eventuais e R$ 13,9 mil em gratificações. Na prática, os adicionais fizeram o contracheque disparar muito além do vencimento original.
Em março, o Supremo Tribunal Federal definiu restrições aos pagamentos acima do teto, permitindo acréscimos de até 70% em determinadas indenizações. Em Mato Grosso do Sul, o limite calculado era de R$ 71,13 mil. Mesmo assim, dados oficiais mostram que pelo menos 162 juízes e desembargadores ultrapassaram esse valor em setembro.
A folha do Judiciário também sentiu o peso dos penduricalhos. As indenizações saltaram de R$ 22,1 milhões em agosto para R$ 29,4 milhões em setembro, alta de 33%. Já as vantagens eventuais passaram de R$ 3,5 milhões para R$ 5,4 milhões, aumento de 54%. Resultado: cerca de R$ 10 milhões a mais nas despesas em um mês, enquanto o teto salarial parece ter virado apenas mais um detalhe no contracheque.
