Sesau promove ação do Setembro Amarelo sobre saúde emocional na gestação

Como parte das ações do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio e à valorização da vida, a Secretaria Municipal de Saúde promoveu, nesta quinta-feira (4), uma ação voltada à saúde emocional das gestantes. Realizado pela Gerência de Saúde do Servidor (Gersau), o evento “Gersau Delas: Falar é cuidar. Acolher é salvar. Nenhuma mãe deveria viver esse começo sozinha” ocorreu na sala de múltiplo uso da Sesau.

Voltada às servidoras gestantes e seus acompanhantes, a atividade propõe um olhar ampliado para os desafios emocionais da gestação, destacando a importância da escuta, da rede de apoio e do cuidado com a saúde mental durante uma fase marcada por mudanças físicas, emocionais e familiares.

A programação reúne profissionais de diferentes áreas e experiências. A musicoterapeuta Mônica Zimpel conduziu a reflexão sobre o poder das escolhas e utilizou as cantigas de ninar como ferramenta de cuidado e vínculo. Para ela, pequenos momentos de conexão podem contribuir para fortalecer a relação entre mãe, bebê e família.

 “A dica de ouro é cantar para o bebê, pode ter certeza que depois, ele vai lembrar desse momento acolhedor. Cante a música que te vincula com essa criança. Quero contar mais um segredo, a nossa mente prefere a música do que a dor. Se você canta com frequência, ele vai se lembrar quando ele nascer. Naqueles momentos de desconfortos, se você cantar, automaticamente, ele para de chorar”, revelou a musicoterapeuta.

O encontro também incluiu a palestra “Nascer Bem e a perspectiva da paternidade”. Crystoffer Oliveira, técnico em edificações e pai de um casal, relatou que só compreendeu plenamente a dimensão da mudança familiar quando segurou a filha no colo. “Só esteja presente”, resume, ao falar sobre a importância de dedicar tempo à companheira e ao bebê, desde a gestação.

A enfermeira Esthefani Uchôa, da Gersau, também compartilhou sua experiência da maternidade e chamou atenção para sinais de exaustão. “Às vezes, a gente precisa simplesmente dizer: eu não estou bem”, afirmou, reforçando que pedir ajuda também é uma forma de cuidado e, por isso, a iniciativa da Sesau é importante “é uma espécie de rede de apoio”.

A experiência de Carla Caroline Borges, de 34 anos e com 10 semanas de gestação, mostra como uma gravidez pode trazer sentimentos diferentes ao mesmo tempo. Mãe de um adolescente de 14 anos, ela conta que acreditava estar entrando em uma menopausa precoce, quando descobriu que esperava gêmeos. “São crianças muito amadas e esperadas, mas foi uma surpresa bem grande”, relata.

Carla também fala sobre a importância da rede de apoio, da animação do marido Gabriel e sobre os julgamentos que podem surgir durante a gestação. “Não é porque você queria engravidar ou ama, que o processo será fácil”, afirma. Para ela, acolher a mulher significa compreender que cada gestação é única, e que nem sempre a forma como uma mãe reage corresponde às expectativas das pessoas ao redor.

Aos 40 anos e com 26 semanas de gestação, Cibele Eunice da Cruz também achou naquele encontro um espaço para compartilhar suas inseguranças. A gravidez não foi planejada e trouxe dúvidas relacionadas à idade, à ansiedade e à rede de apoio. “Foi um bálsamo para mim”, conta, ao avaliar positivamente a oportunidade de ouvir outras histórias.

A psicóloga Raquel Almirão reforçou que o acolhimento deve respeitar o momento. Segundo ela, é importante compreender que aquilo que parece óbvio para algumas pessoas, pode não ser para outras. “A mulher precisa se sentir no direito de estabelecer limites”, orienta, especialmente quando determinados comportamentos aumentam o desconforto ou a sobrecarga emocional.

A proposta do “Nascer Bem” é justamente fortalecer esse entendimento: cuidar da gestante significa também cuidar do bebê e de toda a família. A orientação é que elas não enfrentem dificuldades emocionais sozinhas. A Gersau disponibiliza atendimento psicológico e psiquiátrico aos servidores, e a busca por acompanhamento pode ser essencial, mesmo quando a questão não está diretamente relacionada ao ambiente de trabalho. “A vida reflete diretamente no trabalho”, destaca Esthefani.

Vale destacar, o contato da Gersau para mais informações: (67) 98472-5397 e 2020-1668. Em situações de sofrimento emocional intenso, a orientação é procurar ajuda profissional. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, ou emergência 190.

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