A fronteira no centro do projeto de Carlos Bernardo

Empresário do Grupo Monarca, que atualmente reúne sete empresas em setores como rádio, mineração, fazenda e outros segmentos, dirigente da área educacional e candidato a deputado federal pelo União Brasil, Carlos Bernardo fala à Revista Boca do Povo sobre sua trajetória, educação, saúde, política e o projeto de criação de um Hospital Binacional na fronteira entre Brasil e Paraguai.

A história de Carlos Bernardo é marcada por dificuldades desde a infância. Paranaense, começou a trabalhar ainda criança e passou por diferentes atividades até construir sua trajetória empresarial. Hoje, atua em setores como educação, comunicação, agronegócio e mineração, além de estar à frente de projetos ligados à formação médica em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Agora, com a entrada na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, Bernardo afirma que pretende levar para Brasília uma pauta voltada principalmente para saúde, educação, desenvolvimento e integração da faixa de fronteira. Entre suas principais propostas está a criação de um Hospital Binacional, destinado a atender brasileiros e paraguaios e ampliar a oferta de serviços de média e alta complexidade na região.

BOCA DO POVO — Carlos Bernardo, você teve uma trajetória de vida marcada por dificuldades. Como foi chegar até aqui?
CARLOS BERNARDO —
Eu venho de uma pobreza extrema, do Paraná. Morava em uma casa de chão batido, com frestas nas tábuas que precisavam ser cobertas com pano para não entrar vento. Comecei a trabalhar muito cedo, com 4 ou 5 anos de idade. Fui engraxate, vendi picolé, capinei terrenos e trabalhei como boia-fria. Muitas vezes eu me levantava às 4 horas da manhã para trabalhar. Meu pai chegou a fazer uma enxadinha pequena para que eu pudesse trabalhar na roça. Não foi fácil. Mas essa trajetória me ensinou a trabalhar, a persistir e a não desistir diante das dificuldades.

BOCA DO POVO — Hoje você possui empresas e atua também na área da educação. O que representa essa trajetória?
CARLOS BERNARDO —
É motivo de muito orgulho. Hoje minhas empresas do Grupo Monarca empregam mais de 600 pessoas, em atividades como rádio, mineração, fazenda e outros setores.
Na educação, nosso trabalho também cresceu bastante. A Universidad Interamericana do Paraguai, em Pedro Juan Caballero, tornou-se conhecida principalmente pelos resultados obtidos por seus estudantes no Revalida. É um trabalho que envolve muitas pessoas e que considero uma das realizações mais importantes da minha trajetória.

BOCA DO POVO — Você já passou por diferentes posições políticas. O que mudou na sua visão?
CARLOS BERNARDO —
Eu resolvi me colocar no centro. Eu me vejo no centro porque quero ter liberdade para falar sobre aquilo que está errado tanto na esquerda quanto na direita. Hoje existe uma espécie de cabo de guerra político, e quem acaba sofrendo é a população. Na minha visão, precisamos diminuir os extremos e buscar soluções práticas para os problemas do país.

BOCA DO POVO — Na sua avaliação, quais são hoje os principais problemas enfrentados pela população?
CARLOS BERNARDO —
O poder de compra do brasileiro está muito baixo. Uma família que ganha dois salários mínimos precisa pagar aluguel, energia, água, alimentação e outras despesas. No final, praticamente não sobra dinheiro. Eu vejo essa dificuldade também na educação. Na faculdade, por exemplo, enfrentamos um índice significativo de inadimplência. Muitas famílias colocaram os filhos para estudar acreditando que a formação profissional proporcionaria uma vida melhor, mas hoje encontram dificuldades para manter os pagamentos.

BOCA DO POVO — Você também critica a situação da educação superior. Por quê?
CARLOS BERNARDO —
A educação superior enfrenta dificuldades. Durante muitos anos, cidades do interior tinham faculdades cheias, com estudantes frequentando os cursos e movimentando a economia local.
Hoje muitas instituições fecharam ou estão funcionando com dificuldades. Precisamos voltar a fomentar a educação, porque ela continua sendo uma das principais ferramentas de transformação social e econômica.

BOCA DO POVO — E como você avalia a saúde pública, especialmente em Mato Grosso do Sul?
CARLOS BERNARDO —
A saúde enfrenta problemas graves. Temos regiões com dificuldades para conseguir atendimento e situações relacionadas ao chamado sistema de vaga zero.
Precisamos ampliar e melhorar a estrutura hospitalar, principalmente nas regiões de fronteira. Não podemos ter uma população enorme dependendo de poucos hospitais para atendimento de média e alta complexidade.

BOCA DO POVO — Você defende a construção de um Hospital Binacional entre Brasil e Paraguai. Como funcionaria esse projeto?
CARLOS BERNARDO —
Esse é um projeto muito importante. Já conversei com os presidentes dos dois países e a ideia foi bem recebida. Os ministros da Saúde também estão tratando do assunto.
O projeto está praticamente pronto. Eu adquiri uma área com a intenção de fazer a doação para o empreendimento. A proposta é criar uma estrutura integrada entre Brasil e Paraguai, com administração compartilhada e participação dos dois países.
Queremos construir uma estrutura que possa atender a população dos dois lados da fronteira, especialmente nos procedimentos de média e alta complexidade.

BOCA DO POVO — Qual seria a importância desse hospital para a região?
CARLOS BERNARDO —
Seria muito grande. Hoje muitos pacientes precisam percorrer centenas de quilômetros em busca de determinados tratamentos.
Um hospital desse porte na fronteira poderia reduzir deslocamentos, ampliar o atendimento e também fortalecer a formação dos profissionais de saúde. Além disso, poderia gerar empregos e movimentar a economia regional.
A fronteira precisa deixar de ser vista apenas pelos problemas. Ela também pode ser um grande polo de desenvolvimento.

BOCA DO POVO — Você foi escolhido como candidato a deputado federal pelo União Brasil. Por que disputar uma vaga na Câmara?
CARLOS BERNARDO —
Porque acredito que um deputado federal tem condições de atuar diretamente em Brasília na busca por recursos e políticas públicas para o Estado.
Mato Grosso do Sul possui uma extensa faixa de fronteira e precisa estar preparado para aproveitar as oportunidades que existem nessa região.
Desde 2022 estou nessa batalha. Quero representar o Estado e defender principalmente as necessidades da população que vive na fronteira.

BOCA DO POVO — Você acredita que a fronteira ainda é vista de maneira preconceituosa?
CARLOS BERNARDO —
Sim. Precisamos parar de olhar para a fronteira como se ali só existissem problemas.
Existem trabalhadores, estudantes, famílias e milhares de pessoas honestas. Temos brasileiros estudando Medicina no Paraguai e uma população que movimenta a economia dos dois países.
A fronteira precisa ser tratada como uma oportunidade de desenvolvimento e integração, e não apenas como uma questão de segurança.

BOCA DO POVO — E qual é a sua crítica à maneira como os grandes veículos de comunicação tratam a fronteira?
CARLOS BERNARDO —
O papel de um veículo de comunicação é informar. Muitas vezes se fala muito sobre contrabando, drogas e criminalidade, mas pouco sobre educação, economia, trabalho e oportunidades.
O Paraguai tem apresentado crescimento econômico e milhares de estudantes brasileiros frequentam universidades na região. É importante mostrar todos os lados dessa realidade.

BOCA DO POVO — Para finalizar, que mensagem você deixa para a população de Mato Grosso do Sul?
CARLOS BERNARDO —
Quero agradecer a todos que acompanham o nosso trabalho.
Precisamos continuar buscando soluções, principalmente para a saúde, a educação, a fronteira e a geração de oportunidades. Eu acredito em trabalho, persistência e parceria. Mato Grosso do Sul precisa de pessoas dispostas a enfrentar os problemas, dialogar e buscar resultados para a população.
(Matéria publicada na revista Boca do Povo, edição nº 1.305, de 16/08/2026)

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