Filhos de vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul recebem benefícios sociais

Um menino de 6 e uma menina de 8 anos são sobreviventes de um crime cruel e desumano. Eles presenciaram o assassinato da mãe, que tinha 22 anos, morta a tiro em agosto de 2025, em uma fazenda em Corumbá. 

É a avó que agora cuida dos dois, além de um filho de 7 anos. Eles convivem com uma dor irremediável, mas contam com a ajuda do poder público para viver com dignidade. As crianças recebem acompanhamento psicológico na escola e o auxílio de R$ 1.621 por mês através do programa Recomeços, do Governo de Mato Grosso do Sul. Além disso, a avó conta com o Mais Social, um programa que garante a segurança alimentar e nutricional da família por meio de um cartão de R$ 450 por mês.

“A minha história é essa, de muita luta e sofrimento. Hoje estou aqui falando de uma tragédia, que existe, mas estou tendo apoio. A gente tem que arrumar muita força, não se sabe mais de onde, mas tem que ter. Quero que este caso não seja esquecido. Estou sofrendo, meu dia a dia, meu momento, só Deus sabe o quanto está doendo, mas estou tendo ajuda”, conta a avó. 

Ela não vai ser identificada para proteção dela e dos netos. O autor do crime, que teve um relacionamento de 6 meses com a mãe das crianças, está preso, mas ainda não foi a julgamento. 

“Com a ajuda que o governo passou para mim, eu comprei de tudo porque o familiar retirou. O governo me atendeu ali. Não demorou. Recebo também o Mais Social, que foi rápido demais, que está me ajudando. Hoje eu não posso trabalhar porque eu preciso cuidar deles. Sou só eu por eles. Mas o governo não se esqueceu de mim. Hoje eu tenho essa ajuda imediata”, complementa a avó.

Os programas Recomeços e Mais Social são geridos pela Sead (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos). Além de apoiar os filhos de vítimas de feminicídio, o Recomeços também paga um salário mínimo por mês para mulheres que sofreram violência doméstica e estão deixando a Casa Abrigo para Mulheres e um adicional de até quatro salários mínimos para que ela possa mobiliar o novo lar.

A secretária da Sead, Patrícia Cozzolino, explica que o Recomeços foi criado para dar uma nova perspectiva de vida para as vítimas de violência. “O programa Recomeços foi criado no governo Eduardo Riedel para que as mulheres desacolhidas na Casa Abrigo, depois que cessar o perigo de vida, possam ter verdadeiramente um recomeço. Através dele, é mobiliada toda a casa da mulher, de acordo com o que ela escolhe, e após isso ela recebe um salário mínimo por mês para subsidiar nas despesas da sua família, da sua casa e da sua nova vida. O Recomeços também atende as crianças e adolescentes cujas mães, infelizmente, foram vítimas do feminicídio possibilitando assim, a essas pessoas, obterem atendimento médico e psicológico, entre outros”.

Hoje, 22 vítimas de violência recebem o Recomeços, incluindo mulheres que deixaram a Casa Abrigo com os filhos e as crianças e adolescentes que perderam a mãe. Já o Mais Social ajuda 26 mil famílias em situação de vulnerabilidade econômica.

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