A mobilização dos profissionais da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande, organizada pela ACP, entrou para a história da educação pública da Capital nesta sexta-feira (12). Com adesão estimada em cerca de 6 mil trabalhadores da educação, a paralisação convocada pela entidade demonstrou a força da categoria e resultou em um importante avanço nas negociações para a implementação do reajuste de 5,4% previsto na política do Piso 20h.

Desde as primeiras horas da manhã, professores de todas as regiões da cidade participaram da paralisação organizada pelo Sindicato, cobrando da Prefeitura o cumprimento dos compromissos firmados com o magistério municipal. A mobilização ocorreu após a administração municipal alegar inviabilidade financeira para aplicar o percentual previsto na repactuação construída com a categoria.
Ao longo da manhã, representantes da ACP, vereadores e membros do Executivo participaram de reunião que resultou em um encaminhamento considerado positivo pela categoria. Ficou definida a realização de uma reunião na próxima segunda-feira (15), às 9 horas, entre a ACP, a Comissão da Educação da Câmara Municipal e os Secretários Municipais envolvidos na negociação. A expectativa é que o documento formalizando a proposta seja oficializado ainda no mesmo dia para análise da categoria.
Durante a mobilização, o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, destacou que a reivindicação dos professores não se confunde com a discussão do reajuste geral dos servidores municipais, aprovado pela Câmara nesta semana. Segundo ele, enquanto o reajuste linear de 4,39% contempla diversas categorias do funcionalismo, o magistério possui uma pauta específica relacionada ao cumprimento da política do Piso 20h, construída por meio de negociação entre a Prefeitura e os profissionais da educação. “Não estamos discutindo RGA. Estamos discutindo o cumprimento da política do Piso 20h e da valorização profissional garantida por meio de negociação. Essa é uma luta histórica da categoria e um compromisso assumido com os trabalhadores da educação”, afirmou.
Um dos principais pontos celebrados pelos professores foi a sinalização de que não haverá qualquer tentativa de revogação ou enfraquecimento da legislação que institui a política do Piso 20h. A possibilidade havia gerado preocupação após declarações e debates ocorridos nos últimos dias. Ao final das negociações desta sexta-feira, a avaliação da ACP foi de que a mobilização conseguiu garantir a manutenção das conquistas históricas da categoria e abrir caminho para a efetivação do reajuste reivindicado.

Para a direção sindical, a paralisação demonstrou que a organização coletiva continua sendo o principal instrumento de defesa da educação pública e da valorização dos seus profissionais. A expressiva participação dos trabalhadores reforçou o compromisso da categoria com a luta por melhores condições de trabalho, respeito à carreira e cumprimento dos acordos firmados.
Os resultados da reunião de segunda-feira serão apresentados em Assembleia Geral Extraordinária da categoria, marcada para as 18h na sede da Fetems, quando os profissionais da educação irão deliberar sobre os próximos passos do movimento. A mobilização desta sexta-feira deixa um recado claro: quando a educação se une, sua voz ecoa por toda a cidade. E foi essa força coletiva que colocou novamente a valorização do magistério no centro do debate público de Campo Grande.
