Hospital Cassems realiza neurocirurgias de alta complexidade com pacientes acordados

Ao manter o paciente consciente durante a cirurgia, a equipe do Dr. Paulo Henrique Zanin mapeia funções como fala e movimento em tempo real, garantindo uma recuperação mais segura e preservando a qualidade de vida do beneficiário.

O Hospital Cassems vem avançando na realização de procedimentos que unem a máxima tecnologia médica ao cuidado minucioso com o paciente. Recentemente, a unidade em Campo Grande foi palco de uma técnica que sempre desperta admiração e curiosidade: a craniotomia com paciente acordado. Sob a condução do neurocirurgião Paulo Henrique Zanin, o procedimento foi realizado com sucesso na última semana, e uma nova intervenção já está programada para os próximos dias.

Diferente das cirurgias convencionais, manter o paciente consciente durante parte da operação não é apenas um detalhe técnico, mas uma estratégia de segurança. A técnica é empregada em casos específicos onde a lesão cerebral está situada em “zonas eloquentes” — áreas responsáveis por funções vitais como a linguagem e a motricidade. O objetivo central é proporcionar uma ressecção máxima da lesão com o mínimo de risco funcional.

A anatomia única do cérebro

Paulo explica que, ao contrário de outros órgãos, o cérebro possui uma geografia muito particular. “O fígado sempre está na mesma posição e faz a mesma coisa. No crânio não; às vezes a área da fala está na direita, na esquerda, mais para frente ou para trás. Para a área motora, conseguimos avaliar com o paciente dormindo através de impulsos elétricos, mas para a fala isso não é possível. A indicação absoluta de operar o paciente acordado é quando queremos preservar a fala e evitar que ele fique com déficits no pós-operatório”, esclarece o neurocirurgião.

Essa precisão é reforçada pelo uso da neuronevegação, uma tecnologia de ponta disponível na Cassems que funciona como um GPS intracraniano. Através de uma ponteira laser, o médico consegue localizar a lesão com exatidão milimétrica na ressonância em tempo real. “Isso diminui muito o quanto a gente manipula o cérebro, agindo apenas na área estritamente necessária”, pontua Zanin.

Nesse cenário, a neurofisiologia entra como uma peça fundamental de monitoramento. A neurofisiologista Nathalia Cristaldo explica como a especialidade atua para o cirurgião. “Enquanto o médico avalia a anatomia, nós avaliamos a função das estruturas que estão sendo manipuladas. Estimulamos e registramos respostas do sistema nervoso continuamente através de exames como potenciais evocados e eletromiografia”, detalha.

De acordo com a especialista, o monitoramento em tempo real permite identificar se alguma estrutura está sendo irritada ou comprimida. “Passamos um feedback instantâneo, ajudando a corrigir possíveis danos neurais antes que eles se tornem irreversíveis”, pontua Nathalia.

Enquanto o cirurgião atua, a equipe interage com o paciente utilizando tablets e testes específicos de linguagem e semântica. “A avaliação da linguagem é o que está em risco, então avaliamos a fluência, nomeação e repetição. Fazemos isso mostrando figuras no tablet e fazendo perguntas pertinentes”, explica a Dra. Nathalia.

Se houver qualquer alteração nos testes, o cirurgião é comunicado imediatamente. “Dependendo da área, pedimos para o paciente repetir frases ou identificar figuras que não fazem parte de um contexto, como separar um boneco de neve de uma imagem de deserto. Se houver falha no teste, o cirurgião avalia outras áreas onde pode continuar manipulando, retirando a maior quantidade de lesão possível, mas preservando as estruturas da linguagem”, complementa o Dr. Paulo.

Embora a ideia de estar acordado durante uma cirurgia cerebral possa causar receio, o protocolo de dor e sedação da Cassems é rigorosamente controlado. Como o tecido cerebral não possui terminações nervosas sensíveis à dor, o paciente permanece confortável e colaborativo, sentindo apenas a anestesia local nos tecidos superficiais. Esse cuidado humanizado reflete diretamente na recuperação, que tende a ser mais rápida, com menor tempo de internação em ambiente de terapia intensiva e um prognóstico muito mais positivo.

Compromisso com a Inovação

A realização frequente desses procedimentos reforça o papel da Cassems como referência em medicina de alta complexidade no Mato Grosso do Sul. O sucesso das intervenções depende de uma engrenagem precisa que envolve neurofisiologistas, anestesistas especializados e uma infraestrutura tecnológica de última geração.

Para a diretoria da Cassems, a regularidade desses casos demonstra o amadurecimento técnico do hospital. “Nosso compromisso é disponibilizar o que há de mais avançado na medicina moderna para os nossos beneficiários, aliando tecnologia de ponta a um corpo clínico altamente especializado”, destaca o presidente da Cassems, Ricardo Ayache.

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