Delegado André Matsushita lança guia contra golpes digitais e ensina como proteger toda a família

Candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul reúne orientações para idosos, jovens, crianças e famílias identificarem fraudes, evitarem prejuízos e saberem como agir caso sejam vítimas

Os golpes digitais deixaram de ter um único perfil de vítima. Idosos, jovens, crianças e até pessoas acostumadas com tecnologia estão na mira de criminosos, que adaptam a abordagem conforme a idade, os hábitos e até as emoções de quem pretendem enganar.

Diante desse cenário, o delegado André Matsushita, candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul, elaborou um amplo Guia de Proteção Digital, reunindo informações para ajudar famílias a reconhecer as principais modalidades de fraude, prevenir ataques e agir rapidamente depois de um golpe.

O material parte de uma mensagem simples: cair em um golpe não significa falta de inteligência.

Os criminosos utilizam técnicas de engenharia social, estudam suas vítimas, imitam bancos, órgãos públicos, parentes e até autoridades policiais e exploram sentimentos como medo, urgência, compaixão e boa-fé.

Outro alerta é para a vergonha. Muitas vítimas escondem o ocorrido, não procuram ajuda, deixam de registrar boletim de ocorrência e não alertam parentes e amigos. Para o guia, falar sobre a fraude também é uma maneira de impedir novas vítimas.

Um problema que atinge milhões

O material apresentado por Matsushita reúne números que mostram a dimensão das fraudes digitais.

Segundo os dados compilados no guia, 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes envolvendo Pix em um período de 12 meses, com prejuízo estimado em R$ 29 bilhões.

O documento aponta ainda que 27% das vítimas de golpes virtuais estão na faixa dos 16 aos 29 anos e que 80% dos idosos já teriam sofrido alguma tentativa de golpe virtual. O material atribui os números ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, DataSenado e Fundação Seade.

Idosos: medo e urgência são armas dos criminosos

Entre os idosos, um dos golpes destacados é o chamado golpe do nude ou do falso delegado.

O criminoso cria um perfil falso, normalmente utilizando fotografias de uma mulher jovem, inicia uma conversa amorosa e pode induzir a vítima à troca de imagens íntimas.

Depois entram em cena supostos familiares ou até um falso delegado. Eles afirmam que a mulher seria menor de idade e ameaçam a vítima com investigação ou prisão por pedofilia, exigindo dinheiro para supostamente “arquivar o inquérito”.

A orientação é direta: não faça pagamento. Autoridades policiais não cobram dinheiro por telefone ou WhatsApp para arquivar investigação. A vítima deve interromper o contato, preservar as provas e registrar ocorrência.

Outro perigo é a falsa prova de vida do INSS.

Criminosos se apresentam como servidores e solicitam dados pessoais, documentos ou biometria. O próprio INSS voltou a alertar em setembro de 2026 para golpes desse tipo e informa que não liga nem vai à residência dos beneficiários para solicitar dados pessoais ou pagamentos relacionados à prova de vida.

Há ainda a falsa central bancária. O criminoso telefona informando que uma compra suspeita teria sido realizada e convence a vítima a executar supostos procedimentos de segurança que, na realidade, podem resultar em transferências para contas controladas pelos golpistas.

A recomendação é desligar e procurar o banco diretamente pelo aplicativo oficial ou pelo número existente no verso do cartão.

Jovens também estão na mira

Se idosos são abordados principalmente por meio do medo e da autoridade, criminosos podem tentar atrair jovens por meio de promessas de dinheiro rápido, emprego, apostas, compras e oportunidades aparentemente imperdíveis.

Um exemplo é o golpe das tarefas ou da falsa vaga de emprego.

A vítima recebe pelo WhatsApp ou Telegram uma proposta para ganhar dinheiro realizando tarefas simples, como avaliar estabelecimentos ou curtir vídeos.

No início, os criminosos podem até pagar pequenos valores para conquistar confiança. Depois, passam a exigir depósitos para liberar comissões maiores. A regra é simples: emprego verdadeiro não exige depósito para liberar salário ou comissão.

Outro risco são as falsas plataformas de apostas e os chamados “robôs de sinais”.

Anúncios prometem resultados garantidos. A vítima deposita dinheiro, acompanha um saldo aparentemente crescente, mas posteriormente não consegue sacar.

Também aparecem no guia os falsos ingressos e lojas clonadas, geralmente anunciados por preços muito inferiores aos praticados no mercado.

Matsushita alerta ainda para sextorsão, clonagem de WhatsApp e o chamado “empréstimo de conta”, quando alguém permite que terceiros utilizem sua conta bancária para movimentar dinheiro e pode acabar envolvido em uma investigação criminal.

Crianças podem ser atacadas dentro dos jogos

Um capítulo especial é dedicado a crianças e adolescentes.

Os criminosos estão presentes justamente nos ambientes digitais frequentados pelos mais novos: jogos, redes sociais, YouTube, TikTok, Discord e aplicativos de bate-papo.

Um golpe comum promete moedas ou vantagens gratuitas em jogos como Roblox, Fortnite e Minecraft. Links falsos podem levar à instalação de programas maliciosos capazes de roubar senhas e outras informações armazenadas no aparelho.

O guia recomenda que compras sejam realizadas somente nas lojas oficiais e que os pais evitem deixar cartões cadastrados em dispositivos utilizados pelas crianças.

Outro risco grave é o aliciamento por meio de perfis falsos.

Adultos podem se passar por crianças ou adolescentes para estabelecer amizade, oferecer presentes virtuais, pedir segredo, informações da residência ou fotografias.

A orientação aos pais é manter diálogo aberto, acompanhar mudanças repentinas de comportamento e observar novos contatos virtuais sem transformar a conversa familiar apenas em vigilância ou punição.

Há ainda golpes envolvendo venda de skins, itens raros e contas de jogos. A vítima paga via Pix ou fornece o login acreditando que receberá determinado item e acaba perdendo dinheiro ou a própria conta.

Seis regras para proteger a família

O guia elaborado por André Matsushita estabelece seis cuidados básicos.

Desconfie e desligue: diante de ameaça, pressão ou urgência, encerre a ligação.

Faça uma checagem independente: procure você mesmo o telefone oficial do banco, empresa ou instituição. Nunca utilize o contato fornecido por quem está pressionando você.

Proteja seus dados: não envie senha, token bancário, código de verificação do WhatsApp ou selfie com documentos para desconhecidos.

Proteja o celular: utilize verificação em duas etapas, senhas diferentes, mantenha o sistema atualizado e utilize ferramentas oficiais de proteção.

Monitore seu CPF: o Registrato, do Banco Central, permite verificar contas, empréstimos e chaves Pix vinculadas ao CPF.

Crie uma regra familiar: parentes podem estabelecer uma palavra de segurança e combinar que nenhum pedido inesperado de dinheiro será atendido sem uma confirmação por outro meio.

A chamada “regra de ouro” do guia é: a pressa é uma das principais armas utilizadas pelo golpista. Diante de uma situação inesperada, interrompa a comunicação e confirme a história antes de transferir qualquer valor.

O que fazer durante uma tentativa de golpe?

A recomendação é não prolongar a conversa apenas para descobrir até onde o criminoso pretende chegar.

Bloqueie o número ou perfil.

Não ceda à extorsão, porque pagar não garante o encerramento da chantagem.

Não instale aplicativos enviados por desconhecidos.

Não clique em links suspeitos.

Não forneça senhas.

Converse imediatamente com alguém de confiança.

E, principalmente, guarde prints, telefones, perfis e mensagens, mesmo que não tenha ocorrido prejuízo financeiro.

Também é importante avisar outros familiares, porque o mesmo criminoso pode tentar abordar diferentes integrantes da família.

Caí no golpe. e agora?

O guia de André Matsushita apresenta um roteiro de emergência para quem percebe que foi vítima.

O primeiro passo é entrar imediatamente em contato com o banco.

Nos casos envolvendo Pix, deve-se solicitar a contestação e verificar o acionamento do MED — Mecanismo Especial de Devolução.

O material destaca que o pedido relacionado ao MED pode ser feito em até 80 dias após a transferência, mas a rapidez é fundamental para aumentar as possibilidades de recuperação. O Banco Central mantém dados específicos sobre fraudes e contestações pelo mecanismo e tornou obrigatório, em 2026, o funcionamento ampliado do MED 2.0.

Depois, é preciso preservar todas as provas: prints das conversas, números de telefone, perfis, e-mails, links e comprovantes de transferência, incluindo chave Pix e identificação do destinatário.

O terceiro passo é registrar boletim de ocorrência.

Em Mato Grosso do Sul, o guia orienta a utilização da Delegacia Virtual da Polícia Civil ou o comparecimento presencial a uma delegacia.

Caso WhatsApp, Instagram ou outra conta tenha sido clonada, a vítima deve avisar seus contatos por outro canal, recuperar a conta e ativar a autenticação em duas etapas.

O perfil, anúncio ou site utilizado no golpe também deve ser denunciado à plataforma responsável.

Outro cuidado é verificar o próprio CPF por meio do Registrato do Banco Central e, quando pertinente, pelo Meu INSS, identificando possíveis contas, empréstimos ou consignados feitos indevidamente.

Em situações envolvendo crianças, adolescentes, aliciamento ou conteúdo íntimo, a recomendação é não apagar as mensagens, não pagar ao criminoso e procurar os canais oficiais de denúncia.

E o último conselho é tão importante quanto os anteriores:

não tenha vergonha.

Conversar com familiares, amigos e pessoas próximas pode evitar que o mesmo criminoso faça novas vítimas.

Canais que todo mundo deveria ter salvos

O material também reúne os principais canais para buscar ajuda:

Delegacia Virtual de Mato Grosso do Sul (DEVIR) — registro online de boletim de ocorrência.

190 — Polícia Militar para situações de emergência.

181 — denúncia anônima em Mato Grosso do Sul.

Registrato, do Banco Central — consulta de contas, empréstimos e chaves Pix vinculados ao CPF.

Central 135 e Meu INSS — canais oficiais para informações previdenciárias.

Celular Seguro — serviço do Governo Federal para comunicação de perda, furto ou roubo do aparelho e adoção das medidas disponíveis.

Disque 100 e SaferNet — canais indicados para denúncias relacionadas a violações de direitos e crimes contra crianças e adolescentes na internet.

Procon e consumidor.gov.br — auxílio em conflitos de consumo, compras não entregues e determinadas contestações.

Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher.

E, em caso de movimentação financeira suspeita, a vítima deve procurar diretamente seu banco pelos canais oficiais, nunca pelo número fornecido pela pessoa que entrou em contato.

Informação como ferramenta de segurança

Ao reunir diferentes tipos de golpes em um único material, André Matsushita aposta na prevenção e na informação como instrumentos de segurança pública.

O guia foi elaborado a partir de orientações atribuídas à Polícia Civil, Banco Central, INSS e SaferNet Brasil e de dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e DataSenado. O material está atualizado em setembro de 2026.

A proposta é que o conteúdo não fique restrito a quem já conhece tecnologia.

Ao contrário: a recomendação é compartilhar as orientações dentro de casa, conversar com pais, avós, filhos e adolescentes e criar regras simples de segurança que possam ser lembradas justamente nos momentos de pressão.

Porque os golpes mudam, os criminosos aperfeiçoam suas estratégias e novas armadilhas aparecem todos os dias. Mas uma atitude continua sendo uma das principais formas de proteção:

antes de clicar, pagar, fornecer dados ou acreditar em uma ameaça, pare e confirme.

É essa cultura de prevenção que o delegado André Matsushita busca ampliar ao colocar a experiência acumulada na área policial a serviço de uma campanha permanente de orientação contra os golpes digitais.

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