Santa Casa recusa acordo de R$ 300 mil por assédio

Crise financeira é alegada em caso de assédio na Santa Casa

Hospital alegou dificuldades financeiras para não assumir indenização proposta pelo Ministério Público do Trabalho

Em meio às investigações do MPMS sobre contratos da Santa Casa de Campo Grande, o hospital recusou uma proposta de R$ 300 mil apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por dano moral coletivo relacionado a denúncias de assédio contra profissionais de enfermagem.

A proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) surgiu após o MPT considerar procedente uma denúncia envolvendo gritos, ameaças, intimidações e agressões verbais atribuídas a um neurocirurgião que atuava no Centro Cirúrgico. Cerca de 50 trabalhadores teriam sido ouvidos durante a apuração.

Em manifestação encaminhada em abril de 2026, a Santa Casa alegou enfrentar uma grave crise financeira, com insuficiência de recursos, dependência de repasses públicos e alta demanda por atendimentos de alta complexidade. O hospital também questionou o acesso às provas reunidas pelo MPT e afirmou que não poderia assumir as obrigações sem conhecer integralmente os elementos da investigação.

Paralelamente, o MPMS apura suspeitas envolvendo contratos da Santa Casa e da operadora Santa Casa Saúde. A investigação estima prejuízo de pelo menos R$ 4,9 milhões em duas frentes, incluindo pagamentos por serviços de digitalização de prontuários e contratos com empresas ligadas a um mesmo empresário. A Operação Antidotum cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão, mas as investigações continuam e não há condenações.

Após a recusa do TAC, o MPT determinou a elaboração de uma Ação Civil Pública e mencionou a possibilidade de solicitar R$ 1 milhão por dano moral coletivo, considerando a gravidade e a quantidade de relatos apurados. O caso trabalhista ainda não tinha decisão judicial definitiva até a última movimentação analisada, enquanto as suspeitas investigadas pelo MPMS permanecem em apuração.

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