Cogeração enfrenta incertezas após primeiro curtailment nacional
O primeiro corte de geração de energia determinado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) para usinas de cogeração movidas a biomassa de cana-de-açúcar gerou preocupação no setor sucroenergético, apesar do impacto limitado registrado na produção de açúcar e etanol. A medida, aplicada em 7 de junho, obrigou distribuidoras a reduzir em 1 gigawatt a geração de energia durante quatro horas, atingindo dezenas de usinas em diferentes estados. Embora a maioria das empresas tenha conseguido adaptar suas operações sem grandes perdas, representantes do setor alertam para riscos de instabilidade operacional, interrupções na moagem e aumento dos custos de produção caso os cortes se tornem frequentes.
As usinas afirmam que a redução da geração compromete o equilíbrio entre produção de energia e vapor, essencial para o processamento da cana. Além da perda de receita com a energia não comercializada, empresários destacam o risco de descumprimento de contratos e prejuízos financeiros. O setor também cobra mudanças regulatórias para garantir compensações às usinas de biomassa, que atualmente não possuem direito a reembolso pelos cortes.
ONS e distribuidoras afirmam que a medida busca preservar a estabilidade do Sistema Interligado Nacional diante do aumento da geração distribuída. Enquanto isso, produtores defendem critérios mais transparentes e soluções que conciliem segurança energética e continuidade da produção industrial.
