A Reforma Tributária e suas meias soluções

Artigo escrito por Carlos Rodolfo Schneider - empresário.

Sem dúvida há que se reconhecer a importância de alguns avanços ocorridos nos últimos anos, com a realização de reformas micro e macroeconômicas, em direção à agenda da competitividade. O problema é que o Custo Brasil tem sido tão mais alto do que o dos nossos concorrentes – dívida pública e carga tributária em proporção do PIB, por exemplo, mais altos entre os países em desenvolvimento – que muitas lições de casa ainda precisam ser feitas. Principalmente a redução do peso do Estado sobre a sociedade, e em especial sobre o setor produtivo, através, de um lado, de uma reforma administrativa que, apoiada pelo desengessamento do orçamento público, permita diminuir o gasto e consequentemente a carga tributária, via maior eficiência dos dispêndios públicos. E de outro lado, da Reforma Tributária, que após anos de discussões, tramita em fase de regulamentação no Congresso Nacional, em uma primeira etapa que é a simplificação da caótica estrutura dos impostos sobre o consumo.

Infelizmente, na tramitação da Reforma no Congresso Nacional no segundo semestre do ano passado, os parlamentares cederam a grupos de pressão, aos lobbies mais poderosos, aos setores e regiões que sempre buscam privilégios, em tal medida que a alíquota do IBS/CBS prevista já saltou para 26% ou 27%. Provavelmente será a mais alta do planeta. Novamente importante lembrar que não existe almoço grátis. Os privilégios de uns serão pagos pelos demais. Perde a competitividade da economia. Como bem destacou Bernard Appy, secretário extraordinário da Reforma Tributária, os tratamentos favorecidos retiram boa parte do potencial de impulsionamento do crescimento econômico da reforma, criam um espaço para litígio na justiça por conta das questões de classificação, e impactam a alíquota padrão.

Mas além das ineficiências e privilégios já introduzidos no texto-base da reforma, a regulamentação, em tramitação no Congresso, pode potencializar as distorções. Agora é necessário detalhar as delimitações e a operacionalização dos regimes especiais que beneficiaram os diversos setores com reduções de alíquotas de 30%, 60% e até 100%, e evitar que novas atividades procurem se enquadrar nessas “exceções”, na definição da legislação complementar. Infelizmente, mais uma vez a sociedade brasileira se contenta com meias soluções. Devemos passar na prova, mas com nota pouco acima de cinco.

CATEGORIAS:

Últimas Notícias

Mais notícias

TRÊS LAGOAS: Espetáculo gratuito “Fiu Fiu” será apresentado neste sábado na Praça Ramez Tebet

Três Lagoas recebe neste sábado (17), às 17h30, o espetáculo “Fiu Fiu – Um Encontro entre Pássaros”, na Praça Ramez Tebet. A apresentação é...

Prefeitura veta projetos, e Juari promete defender aposentados e educadores

Vereadores decidirão se mantêm o veto ou se derrubam a decisão da Prefeitura O Executivo municipal vetou três projetos voltados aos servidores aposentados, pensionistas e...

Marcos Pollon tem o menor custo por voto entre os deputados federais eleitos

O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) registrou o menor gasto por cada um dos votos entre os oito parlamentares eleitos em Mato Grosso do...

Podcast Na Boca do Povo reúne empreendedorismo, histórias de superação e muita música no episódio 68

Apresentado por Santhiago Filho, programa recebeu Stefanny Azevedo, Ana Paula Calderoni e Douglas Diniz, além de contar com quadros especiais, interação com internautas e...