A trajetória política do ex-prefeito de Três Lagoas e candidato a deputado estadual Ângelo Guerreiro chega às eleições de 2026 cercada por decisões judiciais, apontamentos de órgãos de controle e investigações envolvendo a administração municipal durante o período em que esteve à frente da Prefeitura.
O episódio de maior impacto ocorreu em 15 de setembro de 2026, quando a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), por unanimidade, manteve a condenação de Guerreiro por improbidade administrativa em processo relacionado a contratos emergenciais para coleta, transporte e destinação de resíduos sólidos.
CASO DO LIXO: R$ 7,36 MILHÕES EM RESSARCIMENTO
O processo envolve contratações realizadas entre 2017 e 2019. Segundo a decisão judicial, houve utilização sucessiva de dispensas emergenciais de licitação e superfaturamento nos contratos de limpeza urbana.
A perícia contábil mencionada no julgamento apontou prejuízo aos cofres públicos, e o TJMS manteve a obrigação de ressarcimento solidário de R$ 7,36 milhões.
A decisão também manteve a suspensão dos direitos políticos por oito anos e multa civil contra o ex-prefeito.
O julgamento de segunda instância foi acompanhado por unanimidade pelos desembargadores da 4ª Câmara Cível.
Ainda há possibilidade de recursos às instâncias superiores. O valor de R$ 7,36 milhões corresponde ao ressarcimento determinado no processo.
Com atualização monetária, juros e demais encargos eventualmente aplicáveis, o impacto financeiro pode ser superior ao valor nominal fixado na condenação. (Fonte: Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS)
Saúde também entrou no radar do Tribunal de Contas
Antes da decisão sobre os contratos de lixo, a administração de Guerreiro já havia sido alvo de apontamentos do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS).
Em julgamento publicado em setembro de 2025, o TCE-MS considerou irregular a execução de termos de contratualização firmados entre o Município de Três Lagoas e a Sociedade Beneficente do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, envolvendo ações e serviços de saúde no SUS. Entre as irregularidades apontadas estavam falhas na contratação de médicos e outros profissionais, além de problemas relacionados à execução dos contratos. O acórdão do Tribunal de Contas registra expressamente a existência de irregularidades na execução das ações e serviços de saúde. O processo também envolveu o ex-prefeito Ângelo Chaves Guerreiro e a então secretária municipal de Saúde.
PF investigou contratos na Educação
Em maio de 2024, a Polícia Federal e a CGU deflagraram a Operação Pedras de Toque, com mandados em Três Lagoas e outras cidades.
A investigação apurou suspeitas de fraudes em licitações, superfaturamento, empresas de fachada e possíveis irregularidades em obras e serviços da Educação. Houve ainda bloqueio e sequestro de bens determinados pela Justiça Federal. A investigação, porém, não representa condenação judicial.
Eleição sob pressão jurídica
A condenação mantida pelo TJMS, com suspensão dos direitos políticos por oito anos, trouxe reflexos para a situação eleitoral de Ângelo Guerreiro em 2026. Apesar da decisão, Guerreiro segue candidato a deputado estadual, com registro de candidatura deferido pela Justiça Eleitoral. Em 22 de setembro, o TRE-MS rejeitou um pedido para suspender sua candidatura, mantendo o registro válido, sem, contudo, analisar naquele momento de forma definitiva eventual inelegibilidade decorrente da condenação.
O ex-prefeito também aparece em apontamentos do TCE-MS e na investigação da Polícia Federal, relacionados à sua gestão em Três Lagoas.
A defesa de Guerreiro contesta a condenação e informou que recorrerá às instâncias superiores do Judiciário, buscando reverter o acórdão e afastar eventuais efeitos sobre sua candidatura. Assim, a situação eleitoral ainda está sujeita aos recursos e às decisões das instâncias competentes.





