Ibama desarticula garimpo ilegal no Xingu

Operação Xapiri Mebêngôkré destrói estrutura do garimpo em terras indígenas no Pará

Ação ambiental atinge logística criminosa e protege TIs Kayapó e Kuruaya

A Operação Xapiri Mebêngôkré, conduzida pelo Ibama, foi deflagrada para combater o avanço do garimpo ilegal na bacia do rio Xingu, no sudoeste do Pará, em uma das ações mais amplas recentes de repressão ao crime ambiental na Amazônia. A iniciativa teve como foco áreas remotas e de difícil acesso, especialmente nas terras indígenas Kayapó e Kuruaya, que vinham sendo pressionadas pela atividade ilegal, com impactos diretos sobre a floresta, os rios e as comunidades locais.

Durante a operação, as equipes enfrentaram desafios logísticos significativos devido à ausência de estradas e à grande distância de centros urbanos, o que exigiu o uso de helicópteros, bases de apoio regionais e atuação integrada com a Funai e a Polícia Federal. Essa estrutura permitiu localizar e atingir frentes ativas de mineração ilegal instaladas no interior da floresta, onde o garimpo operava com forte aparato logístico.

Como resultado, o Ibama desarticulou a estrutura criminosa e promoveu a inutilização de equipamentos e instalações, com base no Decreto Federal nº 6.514/2008, para evitar o retorno imediato das atividades. Foram destruídas escavadeiras, motores, veículos, balsas, geradores e acampamentos, além de combustível e outros materiais utilizados na extração de ouro, causando prejuízo estimado em mais de R$ 33 milhões às organizações envolvidas.

A operação também interrompeu o despejo de substâncias tóxicas, como o mercúrio, nos rios da região, reduzindo danos ambientais que afetam diretamente os povos indígenas e o ecossistema local. No encerramento da ação, o Ibama destacou que as terras indígenas desempenham papel fundamental como barreiras de proteção da floresta amazônica e da biodiversidade, reforçando a importância de ações contínuas de fiscalização. O nome da operação, “Xapiri Mebêngôkré”, faz referência aos espíritos protetores da floresta na cosmologia indígena e à autodenominação do povo Kayapó, simbolizando a defesa dos territórios tradicionais e da Amazônia.

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