Pesquisadora identifica registros ambientais nas obras do escritor mineiro

Em 1952, o escritor João Guimarães Rosa percorreu cerca de 240 quilômetros pelo Cerrado mineiro durante uma comitiva de boiadeiros. Em cadernetas, registrou paisagens, animais, plantas e sinais de devastação provocados pela atividade das siderúrgicas.
Segundo a bióloga e professora Mônica Meyer, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), essas observações aparecem em obras como Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, publicadas em 1956. Para a pesquisadora, o escritor já percebia os impactos ambientais provocados pela exploração do Cerrado.
Mônica afirma que Guimarães Rosa não tratava o bioma apenas como cenário, mas como parte fundamental das histórias. A natureza aparece integrada aos personagens, com destaque para rios, períodos de chuva e seca, árvores, flores, aves e outros animais.
A pesquisadora considera Grande Sertão: Veredas uma importante obra de educação ambiental. Segundo ela, o livro estimula o leitor a enxergar o Cerrado não como simples recurso ou mercadoria, mas como um espaço vivo, do qual seres humanos e demais espécies fazem parte.
