A instabilidade política e militar na Venezuela, agravada após a captura de Nicolás Maduro por ações diretas dos Estados Unidos, começa a gerar impactos indiretos sobre o agronegócio brasileiro. Embora o país vizinho não seja um parceiro comercial central, a tensão geopolítica afeta custos de produção, logística e mercados regionais. Especialistas apontam que o efeito sobre o setor se dá principalmente por canais indiretos, como aumento do preço de combustíveis e insumos, o que pressiona margens no campo. Produtores de arroz já manifestam preocupação com a possibilidade de um rearranjo de fornecedores e perda de competitividade, refletindo um cenário incerto para 2026.
Além disso, o setor de frangos e suínos deve sentir os efeitos de alta nos custos de produção, especialmente no transporte e energia. A instabilidade regional também pode gerar volatilidade no câmbio e nas exportações, exigindo atenção estratégica dos produtores. Agricultores familiares e cooperativas têm buscado medidas para mitigar impactos, incluindo diversificação de mercados e negociação de contratos de insumos. A expectativa é que o Brasil mantenha produção estável, mas com margens mais estreitas, diante do aumento de despesas.
“Os reflexos aparecem menos de forma direta e mais por canais ligados a energia, custos e geopolítica”, ressalta João Alfredo Lopes Nyegray, professor da PUCPR. Setores exportadores acompanham a situação de perto, planejando ajustes nos preços e estoques. A crise venezuelana reforça a necessidade de políticas públicas de apoio ao campo, garantindo resiliência frente a instabilidades externas. Economistas alertam que a escalada do conflito pode acelerar pressões inflacionárias no setor agropecuário brasileiro.
