Maior demanda dos Estados Unidos e da China reforça pressão sobre a arroba
A retenção de fêmeas nas propriedades começa a mudar o cenário do mercado pecuário brasileiro. A participação delas nos abates com Serviço de Inspeção Federal caiu de 44,7% em fevereiro para 32,1% em agosto. Em julho, enquanto o abate total recuou 22%, o número de fêmeas abatidas diminuiu 32%.
A decisão dos pecuaristas está relacionada à valorização dos bezerros e à maior atratividade da reprodução. Com menos matrizes destinadas aos frigoríficos, a oferta de animais para abate tende a diminuir nos próximos meses. Especialistas avaliam que esse movimento pode se intensificar até o fim do ano e avançar em 2027.
Os contratos futuros da B3 já indicam expectativa de alta. O boi gordo para outubro fechou a R$ 377,40 por arroba, enquanto o vencimento de janeiro de 2027 chegou a R$ 385,30. No mercado físico, a arroba estava em R$ 345 em Araçatuba (SP), com alta acumulada de 10,6% desde janeiro.
A demanda externa também deve contribuir para sustentar os preços. Os Estados Unidos ampliaram temporariamente a entrada de carne bovina com tarifa reduzida, enquanto a China deve retomar compras no último trimestre. Com menor oferta interna e maior procura internacional, a carne tende a ficar mais cara ao consumidor, embora uma alta excessiva possa reduzir o consumo e favorecer proteínas como frango e suíno.
