Entidades afirmam que medida pode elevar custos, reduzir competitividade e afetar empresas dos dois países
O governo dos Estados Unidos deve anunciar nesta quarta-feira (15) se aplicará uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, medida que preocupa diversos segmentos do agronegócio devido à importância do mercado americano para as exportações nacionais. Durante audiências públicas, representantes de setores como café, etanol, mel, arroz e máquinas agrícolas defenderam a isenção das tarifas, argumentando que a medida prejudicaria não apenas o Brasil, mas também consumidores e empresas dos Estados Unidos, com aumento de custos e pressão sobre a inflação.
O setor cafeeiro destacou que o Brasil responde por mais de 30% do café consumido pelos americanos, enquanto a indústria do etanol afirmou que a tarifa brasileira segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e não representa retaliação comercial. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também contestou críticas relacionadas ao desmatamento, informando que a área desmatada na Amazônia Legal caiu 56% entre 2011 e 2025.
Exportadores de mel alertaram que a tarifa poderá chegar a 37,5%, comprometendo a competitividade do produto brasileiro, responsável por abastecer 75% da demanda de mel orgânico dos Estados Unidos. Já a indústria de máquinas agrícolas ressaltou que mais de 80% das exportações ocorrem entre unidades da mesma empresa, enquanto o setor de arroz afirmou que o produto brasileiro atende nichos específicos de consumidores, especialmente a comunidade latino-americana, reforçando a importância da manutenção do comércio entre os dois países.
