A politização crescente das instituições tem criado obstáculos concretos a operações sensíveis como a Carbono Oculto, que teve como foco o eixo financeiro da Faria Lima. Segundo o promotor conhecido por sua atuação histórica contra o PCC, há uma resistência velada quando investigações avançam sobre núcleos econômicos poderosos.
Ele afirma que o crime organizado não atua apenas nas periferias ou nos presídios, mas também no sistema financeiro formal. A Operação Carbono Oculto buscou justamente seguir o rastro do dinheiro e identificar mecanismos sofisticados de lavagem de capitais. No entanto, pressões políticas e narrativas ideológicas acabam travando ou retardando medidas essenciais.
Para o promotor, isso cria uma assimetria perigosa no enfrentamento ao crime organizado. Enquanto operações armadas recebem apoio público, investigações financeiras sofrem questionamentos constantes. Ele alerta que sem autonomia técnica plena o Estado perde capacidade de atingir o coração das facções.
O resultado é a preservação de estruturas que sustentam o PCC fora do mundo ostensivamente criminoso.

