Do laboratório à lavoura: ciência impulsiona produção familiar em Mato Grosso do Sul

II Seminário da Chamada Especial Fundect/Agraer reforça compromisso do Estado com o fortalecimento da agricultura familiar, por meio de pesquisa, extensão rural e políticas públicas sustentáveis

O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia) e da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), promoveu nesta sexta-feira (8), em Campo Grande, o II Seminário da Chamada Especial 14/2022.

O evento, realizado no Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer (Cepaer), reuniu gestores, pesquisadores, estudantes, técnicos e produtores rurais para a apresentação dos resultados de pesquisas voltadas à agricultura familiar sul-mato-grossense.

A iniciativa integra a política estadual de incentivo à ciência, inovação e valorização da produção familiar e reforça o compromisso do governo com o desenvolvimento sustentável do campo. Por meio da chamada especial, foram investidos mais de R$ 1,1 milhão em 10 projetos de pesquisa científica que visam atender diretamente às demandas da agricultura familiar, promovendo soluções técnicas de interesse público.

Durante a solenidade de abertura, o governador em exercício, José Carlos Barbosa, o Barbosinha, destacou que o seminário traduz a visão estratégica do Estado sobre o papel da ciência na transformação do campo e no fortalecimento da produção de alimentos.

“A Fundect/Agraer nasce de uma certeza: não há desenvolvimento sustentável sem o protagonismo da agricultura familiar, e não há transformação sem o impulso da ciência. A agricultura familiar é a força silenciosa que alimenta a nossa nação, que preserva saberes e tradições e que mantém vivo o vínculo com a terra. Ao lado da ciência, ela se torna ainda mais potente, com novas tecnologias, respeito ambiental e geração de renda”, afirmou.

O seminário teve como objetivo compartilhar os resultados das pesquisas desenvolvidas nos últimos dois anos, cujos temas incluem a produção agroecológica, uso de sistemas integrados de produção, fruticultura, controle biológico de pragas, recuperação de pastagens e qualidade do leite. As ações têm impacto direto no dia a dia de milhares de famílias rurais, promovendo aumento de produtividade, sustentabilidade ambiental e ampliação de mercados.

Para o diretor-presidente da Agraer, Washington Willeman, os projetos demonstram como a ciência pode oferecer caminhos concretos para os desafios da agricultura familiar. “Essas pesquisas ajudam diretamente quem planta, colhe, cuida dos rebanhos e sustenta a produção local. A maioria dos alimentos que consumimos é fruto do trabalho dessas famílias, e é nosso dever garantir que elas tenham acesso a conhecimento, assistência técnica e inovação”, ressaltou.

Representando o diretor-presidente da Fundect, Márcio Araújo, o diretor científico da fundação, Nalvo Franco Almeida Júnior, reforçou o papel da chamada especial como ponte entre o conhecimento acadêmico e as demandas do campo.

“É fundamental interiorizar a pesquisa, valorizar os saberes locais e garantir que a ciência esteja a serviço do bem comum. A parceria com a Agraer cumpre exatamente esse papel: transformar conhecimento em ação e inovação em resultados”, ressaltou.

A agricultura familiar representa hoje 61% dos estabelecimentos agropecuários de Mato Grosso do Sul, reunindo mais de 80 mil famílias em atividade. Os projetos desenvolvidos com recursos da chamada especial buscam contribuir com a permanência dessas famílias no campo, com qualidade de vida, renda e segurança alimentar.

Ao longo do evento, também foram apresentados dados sobre Políticas Públicas em execução, como o Selo da Agricultura Familiar, o Agroflorestar MS, o programa Fomento Rural e ações integradas com o PAA e o PNAE, que só no primeiro semestre de 2025 movimentaram mais de R$ 5,1 milhões em vendas da produção familiar para merenda escolar e outras compras públicas.

A programação incluiu ainda a palestra ‘Experiência do Modelo de Centros de Excelência de Goiás’, com o professor Robson Domingos Vieira, da Universidade de Brasília, que trouxe exemplos de boas práticas em pesquisa aplicada e cooperação interinstitucional.

Ao encerrar a solenidade, Barbosinha reforçou que investir em ciência é investir no futuro. “O governador Eduardo Riedel acredita que a pesquisa é o verdadeiro motor do desenvolvimento. Com poucos recursos, conseguimos gerar grandes transformações. Quando a ciência caminha ao lado da tradição e do saber popular, quem ganha é todo o Estado”, concluiu.

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