Pesquisador alerta que a ligação entre facções e commodities brasileiras pode provocar sanções comerciais internacionais
O crime organizado descobriu que o agronegócio brasileiro também dá dinheiro e não precisa plantar para lucrar. Segundo estudo do Insper, facções avançam sobre propriedades rurais, cargas e comércio de insumos. A porteira abriu, e os criminosos entraram para fazer negócio.
O prejuízo não é coisa pequena. O mercado ilegal de defensivos agrícolas pode movimentar R$ 20 bilhões por ano, enquanto as perdas com sementes piratas chegam a R$ 10 bilhões. No campo, enquanto o produtor investe para colher, os criminosos encontram maneiras de faturar sem sujar as mãos de terra.
A lista de irregularidades inclui falsificação de produtos, roubo de cargas, grilagem e lavagem de dinheiro. Até o gado entra na conta, com registros fictícios usados para encobrir dinheiro ilícito. PCC e Comando Vermelho também ampliam sua presença nesse território — porque, pelo visto, o crime não se contenta mais com a cidade.
A preocupação agora pode ultrapassar as fronteiras. O pesquisador Alberto Pfeifer alerta que a ligação entre facções e produtos agrícolas pode provocar sanções internacionais. Se o Brasil não organizar uma resposta, o produtor corre o risco de pagar a conta enquanto o crime faz a colheita. No fim, quem trabalha no campo pode colher prejuízo plantado por quem nunca pegou numa enxada.
