Setor da cana enfrenta pressão política e queda de rentabilidade
A safra 2026/2027 deve ser uma das piores já registradas pelo setor sucroenergético brasileiro, segundo avaliação do presidente da União Nacional da Bioenergia e diretor-presidente de usina, Hugo Cagno Filho, que acumula mais de cinco décadas de experiência na cultura da cana-de-açúcar. O dirigente afirma que o cenário atual combina fatores internos e externos que pressionam fortemente a rentabilidade das usinas. Ele destaca que o preço do açúcar permanece em patamares baixos neste ano, reduzindo a margem de ganhos do setor. Paralelamente, o mercado de etanol enfrenta instabilidade e decisões políticas que, segundo ele, dificultam a recuperação da competitividade.
Cagno Filho critica medidas relacionadas aos combustíveis, afirmando que houve retirada de imposto da gasolina e ausência de incentivo ao aumento da mistura de biodiesel. Ele também aponta que a manutenção de estímulos ao diesel agrava o desequilíbrio energético. O dirigente avalia que essas escolhas ocorrem em um contexto de petróleo em alta no mercado internacional. Para ele, o Brasil acaba segurando artificialmente o preço dos combustíveis por razões políticas. O resultado, segundo sua análise, é a formação de uma “tempestade perfeita” para o setor sucroenergético. Ele conclui que, sem ajustes estruturais, a tendência é de aprofundamento da crise nas próximas safras.
