Análise envolve práticas comerciais e acusações de barreiras
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos iniciou nesta segunda-feira, em Washington, uma audiência pública para discutir a proposta de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, em um processo que reúne ao menos 40 entidades e empresas dos dois países interessadas em apresentar argumentos favoráveis ou contrários à medida, com sessões previstas até terça-feira. Entre os participantes brasileiros estão representantes da Confederação Nacional da Indústria, da Confederação Nacional da Agricultura, do Cecafé, da Unica e da Embraer, além de outras organizações do setor produtivo, que buscam contestar os impactos econômicos da eventual taxação.
A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que permite apurar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais. O governo norte-americano analisa temas como comércio digital, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal, com cada participante tendo até cinco minutos para exposição. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, rejeita as alegações e afirma que não há prejuízo às empresas dos Estados Unidos. Em documento oficial, o Brasil sustenta que não existe nexo jurídico entre suas políticas e supostas restrições ao comércio americano.
A posição brasileira também critica a interpretação do USTR por extrapolar discordâncias políticas. O governo pede que os Estados Unidos evitem medidas unilaterais durante a investigação em curso. A audiência é considerada etapa central antes de qualquer decisão sobre a aplicação da tarifa.
