Mercado premium valoriza sabor e maturação diferenciada
O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial de carne bovina ao atender exigências da China, que prioriza animais jovens no abate, mas um movimento oposto cresce no mercado interno voltado à alta gastronomia. Cortes provenientes de vacas mais velhas têm conquistado chefs e consumidores exigentes, principalmente pelo sabor mais intenso e pela textura diferenciada após processos de maturação. A tendência começou há cerca de seis anos, impulsionada pelo engenheiro agrônomo Roberto Barcellos, referência em carne de qualidade no país. Inspirado por experiências europeias, ele buscou modelos produtivos que valorizam animais mais longevos e técnicas específicas de manejo. A prática inclui seleção genética, alimentação controlada e períodos prolongados de engorda. Restaurantes especializados passaram a demandar esse tipo de carne, elevando seu valor de mercado. Apesar de ainda representar nicho, a produção cresce em diversas propriedades brasileiras. O avanço indica mudança de percepção sobre qualidade, indo além da maciez tradicional. Especialistas apontam que o consumidor está mais aberto a novas experiências gastronômicas. O setor vê potencial de expansão com foco em valor agregado e diferenciação.
