A candidata a deputada federal Giselle Marques (PT) participou nesta sexta-feira (4), em Campo Grande, do seminário “20 Anos da Lei Maria da Penha: avanços, desafios e perspectivas para a proteção integral das mulheres”, realizado pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em parceria com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). O encontro reuniu representantes de instituições que atuam no enfrentamento à violência contra a mulher para discutir os avanços conquistados desde a criação da Lei Maria da Penha e os desafios que ainda permanecem, especialmente na prevenção da violência e no cumprimento das medidas de proteção.
Advogada e defensora dos direitos das mulheres, Giselle Marques acompanhou as discussões durante a manhã e destacou a importância de fortalecer a rede de atendimento e proteção às vítimas. “Falar dos 20 anos da Lei Maria da Penha é também olhar para tudo aquilo que ainda precisamos avançar. A lei trouxe instrumentos importantes para proteger as mulheres, mas não basta ter a legislação se ela não chega de forma efetiva na vida de quem precisa de proteção”, afirmou Giselle.
Para a candidata, o enfrentamento à violência contra a mulher precisa envolver não apenas a punição dos agressores, mas também políticas públicas de prevenção, educação e acolhimento. Em 2026, já foram registrados 25 feminicídios no Estado, além de 72 tentativas de feminicídio, conforme o levantamento da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). Os dados demonstram a necessidade de ampliar mecanismos de prevenção e de garantir que mulheres em situação de violência tenham acesso rápido à proteção. Ainda nesta sexta-feira, no período da tarde, Giselle participou de um encontro voltado ao debate sobre a misoginia e ao fortalecimento da participação das mulheres.
Na ocasião, foi apresentado o projeto de criação de um instituto dedicado à pesquisa, articulação e discussão de pautas relacionadas às mulheres de Mato Grosso do Sul. O encontro teve como tema “Misoginia: conhecer para enfrentar, educar para transformar”. A proposta é criar um espaço permanente para reunir mulheres, pesquisadores e representantes de diferentes setores da sociedade para discutir problemas que afetam a vida das mulheres e construir estratégias de enfrentamento. “Precisamos criar espaços em que as mulheres possam falar, serem ouvidas e também participar da construção das soluções.
A violência não começa no feminicídio. Ela passa pela misoginia, pela desigualdade, pelo silenciamento e por uma série de comportamentos que ainda são naturalizados”, afirmou Giselle. A Lei Maria da Penha completa 20 anos em 2026. Sancionada em 7 de agosto de 2006, a legislação estabeleceu mecanismos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher e ampliou os instrumentos de proteção às vítimas. Para Giselle, a data representa uma oportunidade de avaliar os avanços conquistados, mas também de discutir o que ainda precisa ser feito para que a proteção prevista em lei seja efetiva.
“São 20 anos de uma lei que mudou a forma como o Brasil enfrenta a violência doméstica. Mas precisamos continuar avançando. Cada mulher que não consegue acessar a proteção ou que é morta mesmo depois de pedir ajuda mostra que ainda temos muito a fazer”, disse.

