quarta-feira, 11/03/2026

Artigo: A chegada das raças Angus e Merino ao Brasil e o legado da Cabanha Azul

Por Hildeberto Rubin Alessio

A história da pecuária moderna no Brasil tem capítulos pouco conhecidos, mas decisivos para a evolução da produção de carne e da ovinocultura. Um desses momentos ocorreu no início do século XX, quando novas raças europeias e australianas chegaram ao país, trazendo avanços genéticos que mudariam o perfil da criação de gado de corte.

Esse processo tem ligação com o Brasil Imperial e com a figura de Francisco Pereira de Macedo, Barão e posteriormente Visconde do Cerro Formoso. Estancieiro do Rio Grande do Sul, ele recebeu Dom Pedro II em 1865, durante a Guerra do Paraguai, e ficou conhecido por sua contribuição ao Império e por ter libertado seus escravos em 1884. Em reconhecimento, recebeu os títulos de barão e visconde.

Anos depois, seu neto, João Vieira de Macedo, formado em Medicina, foi enviado à Europa para aperfeiçoar seus estudos. Durante a viagem, visitou a França, a Escócia e também a Austrália, onde teve contato com a evolução da pecuária e da ovinocultura mundial. Impressionado com o potencial genético daqueles animais, decidiu trazer ao Brasil algumas das principais raças da época.

Em 1906, retornou trazendo exemplares das raças bovinas Aberdeen Angus, Devon, Hereford e Polled Shorthorn, além das raças ovinas Merino Australiano, Romney Marsh e Corriedale. Instalado na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, em Quaraí, assumiu a administração da propriedade da família, que recebeu o nome de Cabanha Azul.

Ali iniciou um trabalho pioneiro de seleção genética e melhoramento do rebanho, que ao longo das décadas transformaria a região em referência na produção pecuária. O projeto cresceu de forma expressiva e, por volta de 1930, o criatório já reunia cerca de 126 mil animais, consolidando um dos maiores plantéis da época.

O legado seguiu com novas gerações e com o apoio de profissionais dedicados à genética animal, ampliando o reconhecimento da qualidade das raças introduzidas. O Angus, por exemplo, tornou-se mundialmente conhecido pela maciez da carne e pelo marmoreio perfeito, características que hoje valorizam cortes nobres como a picanha.

A história mostra que a pecuária brasileira também foi construída pela visão de homens que souberam olhar além de seu tempo. Na vastidão do Pampa gaúcho, entre coxilhas e campos naturais, nasceu um projeto que ajudou a transformar a qualidade da carne produzida no país.

Mais de um século depois, permanece o exemplo de uma visão pioneira: introduzir genética, investir em seleção e acreditar no potencial da terra brasileira.

Hildeberto Rubin Alessio – Jornalista
ARI 207 – 13/06/1973
Contato: (67) 9 9983-9812

CATEGORIAS:

Últimas Notícias

Mais notícias

Para preservar o Pantanal, PSA Brigadas destinou mais de R$ 6,1 milhões para diferentes projetos sustentáveis

Para preservação do Pantanal sul-mato-grossense, a maior planície alagável do mundo, o Governo do Estado já investiu aproximadamente R$ 6,1 milhões como parte do...

MPMS firma acordo para reparação de danos ambientais em Ribas do Rio Pardo

Medida busca compensar supressão de vegetação e evitar novas infrações no cerrado O MPMS celebrou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com exploradores de...

Papy quer ampliar parquímetro para corredor gastronômico de Campo Grande

Medida busca destravar licitação do estacionamento rotativo na Capital O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), defendeu a ampliação...

Emha inicia Programa Sonho Seguro e abre novo capítulo na regularização fundiária

A Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) realizou na tarde de ontem (3) o trabalho de cadastro e selagem dos imóveis na...