Setor comemora alívio nos EUA, tenta conquistar a União Europeia e já faz as contas para não virar sardinha na reforma tributária.
O pescado brasileiro conseguiu escapar das tarifas impostas pelos Estados Unidos após articulação do setor. Segundo Jairo Gund, presidente-executivo da Abipesca, o produto representa apenas 1% das importações brasileiras pelos americanos. Pelo visto, dessa vez, ser pequeno na conta ajudou a escapar da mordida.
Agora, a mira está na União Europeia, mercado que o governo diz estar próximo de abrir. O setor produz 1,4 milhão de toneladas por ano, movimenta US$ 476 milhões em exportações e reúne milhões de trabalhadores. Potencial não falta; o desafio é transformar discurso em negócio fechado.
Europa no radar, impostos na cola
O ministro da Pesca, Rivetla Edipo Araujo Cruz, aposta na ampliação dos mercados e promete medidas para fortalecer a cadeia, incluindo menos burocracia e incentivos à produção. A criação da marca Brazil Natural Seafood também tenta vender ao mundo uma imagem competitiva do pescado nacional.
Mas nem tudo são águas tranquilas. A reforma tributária preocupa o setor, que quer incluir o pescado na cesta básica nacional para zerar a alíquota do IVA Dual. Com previsão de alíquota geral de 26,5%, a conta pode pesar. Afinal, o peixe pode até escapar da tarifa americana, mas não quer acabar frito na tributação brasileira.
