Espécie recebeu nome em homenagem a Maria, mulher escravizada ligada ao reflorestamento da Floresta da Tijuca
Parece minhoca, mas não é. Uma nova espécie de anfíbio foi identificada no Rio de Janeiro e passou a integrar oficialmente a lista da fauna conhecida pela ciência. O animal recebeu o nome científico de Siphonops maria e vive principalmente enterrado no solo.
Com corpo comprido, olhos pequenos e aparência semelhante à de uma minhoca, a espécie pode chegar a cerca de 19 centímetros. Só que a semelhança termina por aí: a cecília possui esqueleto e pertence ao grupo dos anfíbios. Como passa grande parte da vida debaixo da terra, raramente aparece na superfície.
A descoberta ocorreu depois que pesquisadores revisaram exemplares que já haviam sido classificados anteriormente. Diferenças na quantidade de anéis do corpo e na dentição chamaram atenção. Análises genéticas, características anatômicas e tomografia computadorizada confirmaram que os animais pertenciam a uma linhagem diferente. Até um exemplar coletado em 1902 ajudou na investigação.
O nome da espécie também carrega memória histórica. O termo maria homenageia uma mulher escravizada que participou do plantio de mais de 100 mil árvores na região da Floresta da Tijuca entre 1861 e 1874. A pesquisa ainda aponta outras possíveis espécies desconhecidas, mostrando que, debaixo da terra, a biodiversidade brasileira continua guardando surpresas.
