Motorista não faz milagre com o bolso vazio
A conta chegou salgada para quem precisa cruzar a BR-163, em Mato Grosso do Sul. Depois de um aumento médio de 40% no pedágio, o movimento da rodovia caiu 7,8% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Pelo visto, o motorista começou a fazer as contas e descobriu que viajar está virando artigo de luxo.
Os números da Motiva Pantanal mostram que o fluxo caiu de 14,8 milhões para 13,6 milhões de veículos. A redução foi mais que o dobro da registrada no trimestre anterior, quando a queda ficou em 3,8%. O pedágio subiu, o tráfego desceu e a matemática continua funcionando perfeitamente.
Arrecadação sobe, mas a culpa é sempre dos outros
Curiosamente, enquanto os veículos desaparecem da estrada, o dinheiro continua entrando. A arrecadação com pedágios aumentou 11,5%, passando de R$ 122 milhões para R$ 136 milhões. Ou seja, menos movimento, mas mais dinheiro no caixa. Para a concessionária, parece que o negócio continua andando muito bem.
A Motiva, entretanto, garante que o reajuste não tem relação direta com a redução do tráfego. A empresa aponta o aumento dos combustíveis, o custo dos fretes e a concorrência com outras rotas como responsáveis pela queda. Também destaca investimentos bilionários na rodovia. Resta saber se o motorista, além de pagar mais caro, terá de aplaudir a conta. Na BR-163, o pedágio acelera, o tráfego freia e a explicação continua passando longe do bolso de quem paga.
