Festival do Sobá reúne tradição, cultura e economia criativa na Feira Central

Eduardo Riedel participa da programação que transforma um dos pratos mais conhecidos de Campo Grande em memória, diversidade cultural e geração de renda

Cerca de 120 empreendedores mantêm diariamente em funcionamento a
Feira Central de Campo Grande, espaço onde o sobá deixou de ser apenas uma receita trazida pelos imigrantes japoneses para se tornar parte da identidade da cidade. Entre panelas fumegantes, balcões ocupados e famílias reunidas à mesa, essa história volta ao centro da programação cultural da Capital durante a 19ª edição do Festival do Sobá.

Nesta quinta-feira (6), o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato aprovado em convenção partidária à reeleição, participa do festival a partir das 19 horas. A previsão é que ele percorra as barracas da Feira Central e converse com comerciantes e visitantes. Às 19h30, o governador deverá participar da tradicional cerimônia do chá.

Riedel será acompanhado pelo diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Eduardo Mendes. Nesta manhã, o governador ressaltou o papel da cultura na preservação das identidades locais, na movimentação da economia e na criação de oportunidades para pequenos empresários, artistas e produtores culturais.

Realizado entre os dias 5 e 9 de agosto, o Festival do Sobá reúne gastronomia, música, dança, teatro, memória e manifestações populares. O evento valoriza especialmente a influência da comunidade japonesa na formação cultural de Campo Grande, mas abre espaço também para tradições construídas em outras regiões de Mato Grosso do Sul e em países vizinhos.

O festival traduz uma experiência conhecida por quem frequenta a Feira Central: a comida como ponto de partida para encontros entre gerações e culturas. O sobá servido atualmente em Campo Grande nasceu de uma tradição japonesa, mas foi adaptado ao cotidiano local. Ao longo das décadas, passou a dividir espaço com espetinhos, pratos regionais, comidas orientais e outras opções que ajudam a transformar a feira em um dos principais pontos gastronômicos e turísticos da cidade.

A campanha “Sobá Acessível” também será mantida, com a porção pequena comercializada por R$ 30 em todas as unidades participantes.cA medida procura tornar o prato mais acessível justamente durante o período de maior procura, quando moradores e turistas circulam pelos corredores da feira para acompanhar os shows, visitar as barracas e participar das atividades culturais.

Atrações imperdíveis
Além da programação noturna, tradicionalmente marcada pelo maior movimento, o festival terá almoço no sábado e no domingo. A partir das 18 horas, o público poderá acompanhar apresentações musicais, números de dança, teatro e outras ações culturais.

O show de abertura, realizado na quarta-feira (5), ficou por conta da dupla Edson & Hudson. Nesta quinta-feira, sobem ao palco João Neto & Frederico. No encerramento, no domingo (9), a atração regional será o Grupo Vozeirão.
Todas as apresentações são gratuitas.

A programação de domingo também terá sarau e karaokê infantil, com a participação da professora e cantora Mitch. A proposta amplia o alcance do festival para as famílias e cria oportunidades para que crianças tenham contato com manifestações artísticas em um ambiente comunitário.

A cultura japonesa estará representada por diferentes entidades e grupos, incluindo integrantes ligados às comunidades de Okinawa e da Associação Nipo-Brasileira. Oficinas de chá abertas ao público permitirão que os visitantes conheçam os significados e os gestos envolvidos em uma tradição que ultrapassa o simples ato de servir uma bebida.

O festival também receberá manifestações de outras origens culturais, como o sachim japonês, a dança paraguaia, o Touro Candil de Porto Murtinho e a dança do Engenho de Furnas de Dionísio. A diversidade da programação reforça uma característica histórica de Mato Grosso do Sul: a convivência entre povos indígenas, comunidades tradicionais, migrantes brasileiros e imigrantes de diferentes nacionalidades.

Sobá como patrimônio e atividade econômica
Reconhecido como patrimônio cultural de Campo Grande, o sobá também será tema de palestras e atividades históricas durante o festival. Entre os assuntos previstos está o significado da indicação geográfica, instrumento utilizado para reconhecer produtos associados a determinado território, tradição ou forma de produção.

Também deverão começar as discussões para buscar o reconhecimento da indicação geográfica do sobá de Campo Grande. O processo pode ajudar a proteger a identidade do prato, estabelecer referências sobre sua produção e fortalecer sua vinculação com a história e a economia da Capital.

Outra novidade desta edição será o início da elaboração de um catálogo dos produtores de sobá existentes na cidade. A iniciativa pretende identificar quem prepara e comercializa o prato, ampliando o conhecimento sobre os estabelecimentos responsáveis por manter viva a tradição.

Mais do que uma relação comercial, o levantamento poderá ajudar a mostrar como o sobá se espalhou por Campo Grande e se tornou fonte de trabalho e renda para diferentes famílias. Restaurantes e pequenos negócios ligados à gastronomia fazem parte de uma cadeia que envolve produtores de alimentos, cozinheiros, garçons, músicos, artesãos, técnicos, fornecedores e trabalhadores dos setores de turismo e eventos.

Paralelamente à programação gastronômica e musical, a Feira Central recebe durante todos os dias do festival a Parada Nerd Pocket 2026. O evento terá apresentações de cosplay, videogames, campeonatos, artistas, dubladores convidados e concursos com premiações em dinheiro.

A presença da programação nerd ao lado das manifestações tradicionais amplia o perfil do público e mostra como diferentes expressões culturais podem ocupar o mesmo território. Enquanto parte dos visitantes acompanha a cerimônia do chá ou conhece a história do sobá, outra parcela participa de competições de jogos eletrônicos, encontra personagens de histórias em quadrinhos e acompanha artistas ligados à cultura pop.

Cultura no projeto político de Riedel
A participação do governador ocorre em um momento em que a cultura ganha espaço no Plano de Governo protocolado pelo governador na terça-feira (4) no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com 44 páginas, o plano está organizado em quatro dimensões estratégicas e estabelece como princípio central a transformação do crescimento econômico em melhoria efetiva da qualidade de vida da população.

Entre os pontos de destaque está a cultura. O documento propõe tratar o setor como instrumento de inclusão social, desenvolvimento comunitário e geração de renda.

A proposta prevê maior integração entre cultura, turismo, cooperativismo, artesanato, economia criativa e desenvolvimento regional. Também estabelece como objetivos a valorização do patrimônio histórico, cultural e imaterial, o incentivo aos empreendimentos culturais comunitários e a ampliação do acesso às atividades culturais em todas as regiões de Mato Grosso do Sul.

O plano menciona ainda ações voltadas às culturas indígenas e às comunidades tradicionais, além da necessidade de fortalecer a atuação conjunta da cultura com outras áreas das políticas públicas.

O compromisso mais concreto apresentado no documento é a restauração e modernização do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, o Marco. A proposta procura recuperar e ampliar um dos principais espaços públicos destinados às artes visuais no Estado.

“Transformar a cultura em política de desenvolvimento exige continuidade no financiamento, acesso fora dos grandes centros, preservação do patrimônio e condições para que artistas, produtores e pequenos empreendedores consigam viver de suas atividades”, explica o governador.

Na Feira Central, essa relação já pode ser observada de maneira concreta. Cada prato servido movimenta uma pequena cadeia econômica. Cada apresentação cria trabalho para músicos, técnicos e produtores. Cada manifestação cultural preservada mantém viva uma parte da memória coletiva.

Durante cinco dias, o Festival do Sobá transforma essa dinâmica cotidiana em celebração pública. Para quem visita a feira, o resultado aparece na mesa, no palco e nos corredores cheios. Para os comerciantes e trabalhadores que mantêm o espaço ativo durante o ano inteiro, o festival representa também movimento, renda e a possibilidade de apresentar a mais pessoas uma tradição que Campo Grande aprendeu a reconhecer como sua.

CATEGORIAS:

Últimas Notícias

Mais notícias

Câmara volta do recesso e vota lei tributária e causa animal em Campo Grande

Câmara Municipal volta do recesso, na manhã desta terça-feira (4), com votações sobre mudanças na lei tributária e causa animal. Dois vetos também serão analisados...

Vacinação domiciliar reforça barreira contra a raiva

A vacinação antirrábica em Campo Grande vai muito além da aplicação de doses. Para manter a cidade protegida contra uma doença com circulação do...

Arte no Paço retoma programação com nova mostra

O projeto Arte no Paço voltou está semana e abre a nova programação com a exposição de artes visuais do artista Wendel Fontes. Instalada no segundo...

Extra: Acaba de falecer na UTI da UNIMED o premiado arquiteto Luís Pedro Scalize.

Acaba de falecer o arquiteto Luís Pedro Scalize, 58 anos, com mais de 35 anos de carreira e figurava entre os 100 mais atuantes...