Dia da Merendeira: Dona Luzia é exemplo de inclusão em escola 

Neste Dia da Merendeira, comemorado em 30 de outubro, a Rede Municipal de Ensino (Reme) de Campo Grande celebra a trajetória de profissionais que transformam a rotina das cozinhas escolares em espaços de cuidado, nutrição e aprendizado. Na Escola Municipal Ernesto Garcia, a história de Luzia de Alcântara Santana, de 40 anos, simboliza a dedicação diária dessa categoria. 

Servidora concursada há mais de nove anos, Dona Luzia atua na preparação da merenda escolar e traz no cotidiano uma lição diária de superação e convivência inclusiva para alunos e professores. A profissional nasceu com baixa visão e, aos 15 anos, após uma infecção ocular, perdeu totalmente a possibilidade de enxergar. 

Dona Luiza lavando pés de alface para serem servidos aos alunos

Apesar da mudança, manteve o objetivo de construir sua trajetória profissional e encontrou na culinária escolar uma atividade com a qual sempre se identificou. Atualmente, ela divide a rotina da cozinha com uma equipe de quatro profissionais. A organização rigorosa do espaço — em que equipamentos e utensílios permanecem sempre nos mesmos locais — assegura a autonomia e a segurança necessárias para o preparo diário das refeições de centenas de estudantes. 

A convivência diária com Dona Luzia tornou-se parte da rotina pedagógica e comunitária da escola. A curiosidade inicial das crianças em relação à deficiência dá lugar ao respeito e à naturalização do convívio com a diversidade. 

De acordo com a servidora, a presença de profissionais com deficiência no ambiente de ensino fortalece valores humanos essenciais entre os alunos durante a fase de formação. 

Após a refeição, Dona Luiza lava os utensílios

A merendeira destaca o orgulho pelo papel que desempenha na vida dos estudantes e reforça a importância da convivência no ambiente escolar. “Tenho muito orgulho de fazer parte disso. Às vezes, o contato com alguém diferente pode marcar a criança para o resto da vida de forma positiva”, afirma. 

Ao avaliar sua caminhada de quase uma década na Reme, a servidora deixa uma mensagem de incentivo a quem enfrenta desafios pessoais ou profissionais. “Nunca desista. Não é fácil e muitos dias têm barreiras, mas ficar em casa não resolve. É preciso seguir o próprio caminho e buscar se realizar”, aconselha a merendeira. 

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