Alunos do EJA debatem combate à violência contra a mulher  

A Escola Municipal Osvaldo Cruz transformou o combate à violência contra a mulher em componente curricular. Estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) participaram, nesta terça-feira (15), de uma roda de conversa focada na reflexão sobre machismo estrutural, relações afetivas e feminicídio. 

A atividade integra o projeto “EJA na Prevenção da Violência Contra a Mulher: Currículo, Escuta e Conscientização”. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) organiza a iniciativa, estendendo as dinâmicas de conscientização até o mês de outubro na unidade de ensino. 

As discussões ultrapassam o formato tradicional de palestras. A rotina escolar incorpora a leitura de gráficos e tabelas sobre a relação entre vítimas e autores de agressões, unindo os dados estatísticos à grade de ensino. Educadores, técnicos da Semed e acadêmicos de Psicologia auxiliaram as turmas nas análises. 

A técnica da Divisão de Políticas Específicas da Educação (DPEE), Marcela Ortiz Leal, detalhou a aplicação prática. “É um momento de aula. A gente está dando vários exemplos de como falar dessa temática usando a Matemática”, explicou. 

A troca de vivências gerou debates aprofundados. A técnica da DPEE, Fabiane Brito de Araújo, ressaltou o engajamento do grupo na desconstrução de comportamentos herdados culturalmente. 

“A desconstrução é devagar. E ouvir vocês falando sobre isso é uma esperança enorme. Se têm filhos, netos, sobrinhos ou primos, vocês são uma referência com essa fala do que é ser um homem na sociedade saudável”, destacou Fabiane. 

Prestes a completar 50 anos de união conjugal, o aluno Valdivino Rodrigues, de 68 anos, expôs a sua visão sobre o respeito doméstico durante as discussões de grupo. 

“Eu acho o seguinte: os direitos são iguais. Muitos não aceitam, acham que são donos, mas não é assim que funciona. Se um está brigando e o outro não quer, sai da briga. Eu saio. Se você sair, não tem briga. Se você ficar ali, você fala, ela fala”, contou Valdivino. 

Os encontros proporcionam ainda espaço para acompanhamento individual. Estudantes do 10º semestre de Psicologia da Unigran Capital ficam à disposição para escutar os alunos despertados pelas temáticas. Homens e mulheres já buscaram suporte especializado após os debates em sala. 

A acadêmica Ana Paula Holland Barreto Rocha pontuou o andamento dos atendimentos sigilosos e focados no amparo emocional. 

“Algumas pessoas disseram que sim e foram separadas entre os estagiários. A gente veio fazer esses atendimentos mais individuais. Não é uma psicoterapia, é um processo de aconselhamento psicológico”, explicou a universitária. 

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