Inclusão da montadora na lista suja gerou disputa judicial e repercussão política
A operação que resgatou 163 trabalhadores chineses na obra da fábrica da BYD, em Camaçari, na Bahia, revelou um esquema de trabalho análogo à escravidão envolvendo jornadas exaustivas, alojamentos precários e retenção de passaportes. A força-tarefa formada por auditores fiscais, Ministério Público do Trabalho, Polícia Federal e intérpretes encontrou trabalhadores dormindo em estrados de madeira, cozinhas insalubres e condições degradantes de higiene.
Segundo o relatório, os funcionários trabalhavam até sete dias por semana e muitos recebiam apenas parte dos salários prometidos. A fiscalização também apontou que os empregados tinham pouca liberdade de circulação e eram monitorados por seguranças armados. Após o caso, a BYD entrou na lista suja do trabalho escravo, mas conseguiu decisão judicial para retirada temporária do cadastro. O episódio ganhou repercussão em Brasília após a exoneração do secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello, levantando suspeitas de interferência política dentro do Ministério do Trabalho.
A investigação ainda expôs denúncias de pressão sobre servidores e reacendeu debates sobre fiscalização trabalhista e responsabilidade de grandes empresas em contratos terceirizados.



Fotos: MPT-BA
