Magistrados negam irregularidades, mas salários líquidos chegam a R$ 87 mil
Quatro desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão receberam R$ 627 mil líquidos nos últimos três meses, mesmo afastados de suas funções há 16 meses. Antonio Pacheco Guerreiro Júnior, Luiz Gonzaga Almeida Filho, Marcelino Everton Chaves e Nelma Celeste Sarney Costa são investigados pela Operação 18 Minutos, que apura venda de sentenças e liberação rápida de alvarás.
Os pagamentos superam o teto constitucional de R$ 46.366,19, em um estado onde 8,4% da população vive com menos de R$ 200 mensais. Em dezembro, Guerreiro Júnior recebeu R$ 87.137,82, Nelma Sarney R$ 83.218,01 e Chaves R$ 42.364,42.
Relatórios do COAF indicam transações suspeitas ligadas a decisões judiciais que beneficiaram ex-funcionários do Banco do Nordeste. Em julho de 2025, a Procuradoria-Geral da República denunciou os magistrados por corrupção “relâmpago”.
O Conselho Nacional de Justiça manteve Nelma Sarney em disponibilidade por dois anos com remuneração proporcional. O Tribunal ainda não se manifestou, e os magistrados negam irregularidades. A investigação estima desvio de até R$ 50 milhões, com decisões ocorrendo em apenas 18 minutos.
Salários dos desembargadores afastados há 16 meses somaram R$ 627 mil no último trimestre

