Documento também registra multas, processos e falhas na gestão do Consórcio Guaicurus
A intervenção administrativa no Consórcio Guaicurus identificou R$ 48,5 milhões em débitos e obrigações acumuladas no sistema de transporte coletivo de Campo Grande. O levantamento foi realizado durante a intervenção de 180 dias determinada pelo município e aponta problemas financeiros e operacionais na concessão.
Entre os principais valores estão R$ 31,29 milhões em parcelamentos fiscais com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O relatório também registra R$ 4,86 milhões em impostos e contribuições sobre a folha, além de R$ 183,7 mil em multas ambientais do Ibama e R$ 12,24 milhões em penalidades aplicadas pela Agereg.
A situação da frota também foi destacada pelos interventores. Segundo o documento, os ônibus tinham idade média de aproximadamente 10,4 anos em 2026, acima do parâmetro contratual de cinco anos. Entre 2021 e 2025, a Agetran aplicou 21.910 autuações, sendo 12.279 relacionadas ao descumprimento de horários e 3.444 por omissão de itinerários.
O relatório ainda aponta falta de manutenção preventiva, quebras frequentes, viagens suprimidas e falhas nos mecanismos de controle da concessão. Também foram identificados problemas na gestão de recursos e repasses, além de processos judiciais e outras contingências. Os interventores recomendaram uma reestruturação do contrato de concessão, incluindo mudanças nos aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e financeiros.
