Lista de agrotóxicos perigosos gera reação no agronegócio
O governo federal avalia criar uma lista de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAP), considerando critérios internacionais relacionados aos riscos à saúde humana e ao meio ambiente. A proposta está em análise por órgãos federais e não estabelece, neste momento, a proibição automática dos produtos incluídos.
A minuta reúne 42 ingredientes ativos já proibidos no Brasil e outros 39 que permanecem registrados e utilizados no país. Segundo a Aenda, esses componentes estão presentes em 864 produtos comerciais fabricados por 89 empresas, alcançando 26,3% das formulações de herbicidas, inseticidas e fungicidas disponíveis no mercado.
A iniciativa está vinculada ao Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), criado em 2025. A classificação busca orientar políticas públicas, reduzir a exposição a produtos considerados altamente perigosos e estimular o desenvolvimento e a adoção de alternativas de menor impacto.
Entidades do agronegócio, no entanto, afirmam que a medida pode gerar restrições indiretas, mesmo sem uma proibição formal. Produtores e fabricantes citam possíveis impactos sobre crédito rural, seguros, certificações, compras públicas e exportações, enquanto o governo mantém a proposta sob avaliação técnica e jurídica.
