Estudo aponta crescimento no varejo alimentar, mas setor de apostas questiona a relação entre o veto e o aumento do consumo
A proibição das bets parece ter produzido um efeito inesperado: em vez de tentar a sorte nas apostas, parte dos brasileiros pode estar voltando a apostar no arroz, feijão e macarrão. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), as vendas de alimentos cresceram 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro, na comparação com o mesmo período de 2025.
Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, o varejo alimentar manteve o embalo, com alta de 6,3%. O Sul liderou o crescimento, enquanto o Centro-Oeste registrou avanço de 3,5%. Pelo visto, o dinheiro que desaparecia nas apostas encontrou uma utilidade bem mais mastigável.
Setor de apostas contesta explicação
A Abras relaciona o aumento das compras à proibição das apostas virtuais e aponta queda de 10% nas transações via Pix destinadas às bets logo após o veto. O recuo posteriormente se estabilizou em 7%. A mudança pode ter aberto espaço no orçamento doméstico para produtos essenciais.
Mas as empresas de apostas não aceitaram perder a discussão sem dar um palpite. Representantes do setor afirmam que o crescimento também pode estar ligado ao mercado de trabalho, às restituições do Imposto de Renda e aos pagamentos do Bolsa Família.
Coincidência ou dinheiro voltando ao carrinho?
O consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias, Bernardo Cavalcanti Freire, questionou a conclusão da Abras e lembrou que R$ 1,3 bilhão de contas de apostadores foi devolvido aos consumidores. Segundo ele, duas semanas de crescimento não comprovam que o dinheiro das apostas virou compra de supermercado.
Enquanto especialistas discutem quem merece os créditos, o consumidor segue fazendo contas no corredor do mercado. Afinal, arroz na panela alimenta a família; aposta perdida alimenta, principalmente, a esperança de quem ainda acredita no próximo palpite.
