Floresta perde área equivalente a 19 mil campos de futebol, enquanto a fiscalização ainda tenta acompanhar o estrago
O Pará registrou 60,6 mil hectares de exploração madeireira entre agosto de 2024 e julho de 2025, a maior área dos últimos cinco anos. O avanço foi superior a 40% em relação ao período anterior. Pelo visto, a motosserra não tirou férias. Do total explorado, 19.126 hectares foram atingidos ilegalmente, o equivalente a 32% da área mapeada. São mais de 19 mil campos de futebol de floresta afetada, um verdadeiro campeonato de devastação.
O levantamento da Rede Simex aponta que a extração autorizada cresceu 83%, enquanto a ilegal caiu cerca de 6%. A redução é positiva, mas está longe de transformar o cenário em motivo de comemoração. Segundo pesquisadores, entre 38 mil e 57 mil árvores podem ter sido derrubadas sem plano de manejo, vistoria ou rastreabilidade. Enquanto isso, quem trabalha dentro da lei acaba disputando mercado com a madeira de origem duvidosa.
As terras indígenas concentraram apenas 2% da exploração ilegal identificada, com 424 hectares afetados. O dado reforça a importância desses territórios na proteção da floresta, embora as invasões continuem. A Terra Indígena Amanayé apareceu pelo quinto levantamento consecutivo entre as áreas atingidas.
Até quando a floresta precisará gritar por socorro para que a fiscalização chegue antes das motosserras?
