Rodolfo Nogueira cobrou explicações sobre critérios que colocaram desenhos bíblicos na faixa dos 12 anos
Parece que até Davi e Golias precisaram enfrentar a burocracia de Brasília. Depois de classificar desenhos bíblicos da Record como inadequados para menores de 12 anos, o Ministério da Justiça resolveu voltar atrás. A decisão veio após o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) cobrar explicações sobre os critérios utilizados pelo governo Lula.
A portaria original apontava suposta presença de violência, drogas lícitas, atos criminosos e preconceito nas animações. Pelo visto, as histórias bíblicas passaram por uma avaliação que enxergou perigo onde milhões de famílias veem narrativas religiosas e ensinamentos. Faltou, aparentemente, separar o contexto da história do conteúdo apresentado às crianças.
O parlamentar exigiu que o ministério identificasse cenas, diálogos e até minutagens que justificassem a classificação. Na revisão, a própria pasta reconheceu que não havia aplicado integralmente a metodologia prevista no Guia Prático de Classificação Indicativa. Também admitiu que deixou de considerar elementos culturais, religiosos e a estética infantil das produções.
Com o recuo, o programa Record Kids – Desenhos Bíblicos voltou a receber classificação livre. O ministério informou que a reavaliação ocorreu por iniciativa própria e que a nova decisão será publicada no Diário Oficial. No fim das contas, a fiscalização parlamentar fez Brasília rever a lição de casa. E a burocracia, que aparentemente confundiu desenho bíblico com filme de terror, acabou precisando corrigir a própria interpretação.
