Enquanto deveria defender a lei, advogada é investigada por supostamente atuar como ponte de informações para organização criminosa
A Operação Courrier ganhou mais um capítulo daqueles que fazem a população perguntar quem está defendendo quem. Uma advogada, integrante de órgãos da OAB-MS e investigada por ligação com o PCC, foi presa pelo Gaeco ao lado do marido, policial militar. Segundo as investigações, o casal teria transformado o acesso à informação em negócio particular. O policial é suspeito de consultar dados sigilosos de presos e repassá-los à esposa, que seria responsável por distribuir informações a integrantes da facção.
Do tribunal da ética ao radar do Gaeco
A ironia fica ainda mais evidente quando se observa o currículo da advogada: conselheira do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MS, vice-presidente da Comissão da Advocacia Criminal e presidente da Abracrim Mulher em Mato Grosso do Sul. A suspeita é de que a confiança profissional tenha ganhado uma utilidade bem diferente da prevista.
Enquanto a população espera que instituições protejam a lei, a investigação aponta possíveis conexões entre profissionais, servidores e integrantes do crime organizado. O policial foi afastado, e a OAB-MS informou que adotará as medidas cabíveis, respeitando o direito à defesa. Afinal, carteira profissional não é salvo-conduto, farda não é blindagem e cargo institucional não deveria servir de escudo.
