Oposição com vista para Miami
O discurso de resistência durou menos que o esperado. Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos nesta quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das filhas, depois de deixar o Equador em um avião privado com destino a Miami. A viagem aconteceu dois dias após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. Pelo visto, o plano de organizar a oposição em solo brasileiro acabou ganhando endereço internacional.
Na segunda-feira, Flávio apareceu nas redes sociais para garantir que permaneceria no Brasil e lideraria a oposição ao governo Lula. Na prática, a promessa não resistiu nem ao próximo capítulo da viagem: a família cruzou a fronteira argentina e embarcou rumo ao Equador antes de seguir para os Estados Unidos.
A saída ocorreu mesmo após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para que o senador entregasse os passaportes à Polícia Federal e não deixasse o país. A decisão foi tomada no âmbito de investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro, irregularidade negada por Flávio e pelo advogado Willer Tomaz.
A mudança de cenário também contrasta com a declaração de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que havia defendido a possibilidade de liderar a oposição do exterior caso a eleição terminasse em derrota. Agora, a política brasileira ganha mais um capítulo com a família Bolsonaro longe de casa.
Enquanto isso, fica a ironia: quem prometeu ficar para comandar a resistência acabou embarcando para longe do campo de batalha eleitoral. A oposição pode até continuar, mas, por enquanto, o discurso de firmeza ficou no Brasil e o avião seguiu para Miami.
