Nova espécie foi descoberta no Rio de Janeiro e também homenageia mulher escravizada que ajudou a reflorestar a Tijuca
A ciência descobriu uma nova espécie de cobra-cega no Rio de Janeiro e resolveu batizá-la de Siphonops maria. Apesar do nome, não se trata de cobra, mas de um anfíbio que vive debaixo da terra. Ou seja, não aparece nem para dar bom-dia, mas agora entrou para a história.
A escolha homenageia Maria, uma mulher escravizada que participou do plantio de mais de 100 mil árvores na Floresta da Tijuca, entre 1861 e 1874. O reconhecimento veio mais de um século depois, mostrando que a história tem suas ironias: muita gente foi esquecida, mas a ciência está ajudando a resgatar essa memória.
Pesquisa identificou diferenças invisíveis a olho nu
Para confirmar a nova espécie, os pesquisadores analisaram material genético, características do corpo e imagens detalhadas do crânio. Até um exemplar coletado em 1902, guardado em uma coleção científica, entrou na investigação. Aparentemente, até os museus escondem novidades debaixo da poeira.
Segundo os cientistas, o nome também homenageia as milhões de brasileiras chamadas Maria. A descoberta reforça a importância da Mata Atlântica e das coleções científicas. Enquanto muita gente só olha para o que aparece na superfície, os pesquisadores foram ao fundo — literalmente para encontrar uma nova espécie e recuperar parte da história brasileira.
