PF encontrou máquina de contar dinheiro e prateleiras em hangar de Brasília; advogado nega que o espaço escondesse recursos de origem não declarada
Uma porta blindada, prateleiras metálicas e uma máquina de contar notas. A Polícia Federal encontrou o cenário de uma sala reservada em um hangar no Aeroporto Internacional de Brasília, usada pelo advogado Willer Tomaz para guardar dinheiro. Para quem imaginava que dinheiro vivo precisava apenas de uma gaveta, a estrutura parece ter subido de categoria.
Amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Tomaz virou alvo de investigação autorizada pelo STF. Os investigadores apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras consideradas atípicas. A sala, com aparência de cofre particular, agora está no centro de uma história que promete dar trabalho aos investigadores.
E tem mais: a PF identificou movimentações milionárias do advogado em plataformas de apostas esportivas. Segundo documento do Ministério da Fazenda citado pelo Estadão, ele depositou R$ 258 milhões em uma única plataforma e foi apontado como o maior apostador individual do Brasil. Apostar alto, nesse caso, ganhou outro significado.
Tomaz nega as suspeitas e afirma que a sala e os equipamentos servem à prestação de serviços para empresas de transporte de valores. Classificou como “fantasiosa e ridícula” a hipótese de uso para guardar dinheiro de origem não declarada. Agora, cabe à investigação esclarecer a finalidade da estrutura e a origem dos recursos. Porque, quando entram milhões, uma porta blindada pode até dificultar o acesso físico — mas não fecha a porta para perguntas da Justiça.

